Resumo da equipe Fé Razoável, preparado com auxílio de IA
William Lane Craig apresenta o argumento da contingência de Leibniz a partir da pergunta por que existe algo em vez de nada. A aula distingue seres necessários e contingentes, discute os objetos abstratos como ilustração de existência necessária e examina a primeira premissa com a história de uma bola encontrada na floresta.
O argumento da contingência
Pode parecer estranho ter começado uma excursão sobre a teologia natural argumentando que não precisamos realmente de argumentos para a existência de Deus para acreditar racionalmente e até mesmo saber que Deus existe. Mas vimos que, de fato, os argumentos a favor da existência de Deus não são necessários porque se pode saber que Deus existe de uma forma propriamente básica através do testemunho auto-autenticado do Espírito Santo. Mas dizer que os argumentos para a existência de Deus não são necessários para saber que Deus existe ou que as grandes coisas do Evangelho são verdadeiras não é dizer que também não existam argumentos que sejam suficientes para o conhecimento de Deus.
Na verdade, eu concordaria com Alvin Plantinga que embora a crença em Deus e nas grandes verdades do Evangelho sejam propriamente básicas, ainda existem argumentos e evidências que são suficientes para garantir a crença na existência de Deus e nas grandes verdades do Evangelho. E hoje queremos começar a examinar alguns destes argumentos a favor da existência de Deus. O primeiro argumento é o argumento da contingência. Temos um esboço sobre isso se você quiser levante suas mãos para receber um. Às vezes isso é chamado de argumento cosmológico leibniziano. Discuto esse argumento no livro "Em Guarda" e também de uma maneira mais profunda no livro Fé Razoável. E estaremos olhando esta manhã para a versão como ela é apresentada no "Em Guarda". Eu sempre fiquei impressionado pelo mistério da existência do universo.
Lembro-me de, quando menino, olhando para as estrelas à noite e me perguntando de onde veio tudo isso? Pareceu-me que deveria haver uma explicação por que tudo isso existe. Bem, mal percebi que minha pergunta de infância bem como sua resposta foi refletida por filósofos durante séculos, até milênios. Por exemplo, Gottfried Wilhelm Leibniz, que foi o co-descobridor do cálculo; um polímata de tremenda genialidade e um dos grandes gênios da Europa do século XVIII, argumentou que, em suas palavras, "A primeira pergunta que deveria ser feita corretamente é: ‘Por que existe algo em vez de nada?’” Isto é, por que existe alguma coisa? Leibniz acreditava que esta é a pergunta mais básica que alguém pode fazer. Tal como eu, Leibniz chegou à conclusão que a resposta não se encontra no universo das coisas criadas, mas sim numa causa transcendente do universo em Deus.
Deus, disse ele, existe necessariamente e é a explicação de por que qualquer outra coisa existe. Agora, um dos meus amigos me disse que é uma pena que comecei o livro Em Guarda com este argumento leibniziano porque é um argumento que é muito filosófico e metafísico e que o leigo acha, penso eu, muito difícil de compreender. Portanto, logo no início do livro, esse obstáculo é colocado em seu caminho, embora talvez fosse melhor ter começado com argumentos mais fáceis de entender a favor da existência de Deus. Mas devo dizer que concordo com o que Leibniz disse – logicamente esta é a primeira questão que deveria ser colocada. Antes de perguntarmos: “Por que o universo está ajustado para a nossa existência?” ou “Por que o universo começou a existir?” a questão mais fundamental é “Por que existe alguma coisa?” Este é claramente o ponto de partida.
Dois séculos depois de Leibniz, Martin Heidegger, que foi um metafísico alemão muito famoso do século XX, escreveu o seguinte: “Por que existem seres em vez de nada? Essa é a questão. É evidente que não é uma pergunta comum. ‘Por que existem seres, por que existe alguma coisa, em vez de nada?’ – obviamente, esta é a primeira de todas as perguntas.” É aí que começaremos a nossa análise dos argumentos a favor da existência de Deus com esta questão mais fundamental de todas: porque é que alguma coisa existe? Agora podemos apresentar o argumento de Leibniz na forma de uma série muito simples de premissas que estão no seu esboço. 1. Toda coisa existente tem uma explicação para sua existência, seja pela necessidade de sua própria natureza ou por uma causa externa. 2. Se o universo tem uma explicação para sua existência, essa explicação é Deus. 3.
O universo é uma coisa existente, da qual decorre logicamente: 4. Portanto, a explicação da existência do universo é Deus. Agora, este é um argumento logicamente incontestável. Isto é, se as três premissas forem verdadeiras, então a conclusão segue necessariamente. Não importa se você não gosta da conclusão. Não importa se você tem outras objeções à existência de Deus. Se você acha que essas premissas são verdadeiras, você também deve aceitar a verdade da conclusão. Então, quem quiser rejeitar a conclusão tem o dever de dizer que pelo menos uma dessas três premissas é falsa. Mas qual deles ele rejeitará? Claramente, a premissa (3) é inegável para qualquer buscador sincero da verdade. Obviamente o universo existe! Portanto, o cético terá que negar a premissa (1) ou a premissa (2).
Portanto, toda a questão relativa a este argumento resume-se a isto: serão estas duas premissas mais plausíveis do que não? Elas são mais plausivelmente verdadeiras ou são mais plausivelmente falsos? Bem, vamos examinar cada um delas por vez. Primeiro, toda coisa existente tem uma explicação para sua existência, seja pela necessidade de sua própria natureza ou por uma causa externa.
Necessidade e contingência
Você notará que Leibniz faz aqui uma distinção entre dois tipos de ser. O primeiro tipo são coisas que existem necessariamente – por uma necessidade de sua própria natureza (um ser necessário). Esta é a ideia de um ser que não pode deixar de existir. É algo cuja inexistência é impossível. O que seria um exemplo de ser necessário? Muitos matemáticos pensam que entidades matemáticas são necessários desta forma – coisas como números, conjuntos, proposições, coisas desse tipo. Mesmo aqueles que são anti-realistas sobre isso – que não acham que objetos matemáticos realmente existem – no entanto, reconhecem que, se existem, então existem necessariamente. Se o número 1 existir em qualquer mundo possível, então ele realmente existe. Seria impossível para o número 1, por exemplo, existir apenas contingentemente – existir neste mundo mas não em algum outro mundo possível.
Mesmo aqueles que não acreditam na existência de entidades matemáticas como números, conjuntos e figuras geométricas ainda reconheceria que pertence à natureza dessas coisas existirem por necessidade. Se eles existem, eles existem necessariamente. Portanto, esses tipos de coisas não são causados por outra coisa. Eles simplesmente existem por uma necessidade de sua própria natureza, e é impossível que deixem de existir. O outro tipo de coisa seriam coisas que existem contingentemente. Ou seja, são seres contingentes. Seres contingentes são coisas que existem, mas não precisam existir. É possível que eles deixem de existir. Eles existem mas a sua existência não é necessária; eles poderiam ter deixado de existir. Este é o caso do mundo dos objetos que nos rodeiam – coisas como pessoas, cadeiras, planetas, galáxias e assim por diante.
Essas coisas existem, mas não são necessárias em seu ser. Podemos imaginar um mundo possível em que alguma ou todas essas coisas deixem de existir. Esses tipos de coisas, se existirem, têm explicações fora de si mesmas para explicar por que existem. Eles não existem por uma necessidade de sua própria natureza. Se, por exemplo, existe um unicórnio neste mundo, deve haver alguma explicação para a razão pela qual ele existe, em vez de não existir. Existem muitos mundos possíveis nos quais não existem unicórnios, como o mundo real. Se um unicórnio existe, é necessário que haja algum tipo de explicação independente da natureza de um unicórnio que explicaria por que o unicórnio realmente existe, em vez de ser uma mera possibilidade. Portanto, quando Leibniz diz que tudo o que existe tem uma explicação para a sua existência, essa explicação poderia ser de dois tipos.
A explicação poderia ser que existe por uma necessidade da sua própria natureza – é um ser necessário. Ou a explicação poderia ser que se trata de um ser contingente que tem uma causa fora de si que o produz no ser. Se Deus existe, Deus é um ser que existiria por uma necessidade de sua própria natureza. É impossível que Deus seja causado por qualquer outra coisa. Se Deus fosse causado por outra coisa, então haveria algo maior que Deus e, portanto, ele não seria Deus. Portanto, pelo próprio conceito de Deus, Deus não pode ser algo cuja existência seria causada por outra coisa. Se existe um Deus então ele existiria necessariamente. O argumento de Leibniz está nos levando a um conceito muito poderoso de Deus, a saber, a ideia de um ser metafisicamente necessário – um ser que existe por uma necessidade de sua própria natureza.
Não apenas um ser contingente que existe, mas um ser necessariamente existente. Agora, com esse esclarecimento da premissa um. Permitam-me perguntar se há alguma questão de natureza compreensiva, porque, como digo, este é o obstáculo em que muitos leigos se vêem incapazes de ir mais longe, com este argumento. Precisamos ter uma compreensão clara da distinção entre necessidade e contingência para podermos ir adiante.
Discussão: seres necessários e objetos abstratos
Então, existe algum tipo de pergunta de compreensão neste momento? Sim, lá atrás, sim. Aluno: Só para esclarecer. Um ser contingente exigiria um ser necessário? Dr. Craig: Esse será o argumento, sim. Um ser contingente requer algum tipo de causa ou explicação fora de si mesmo. Em última análise, isso terá que ser fundamentado por um ser metafisicamente necessário. Isso está certo. Você já está vendo as implicações do argumento de Leibniz. Certo. Aluno: Você poderia explicar melhor filosofia do ser mais necessário. Obviamente o conceito de Deus é enorme e dificilmente compreensível. A mesma coisa que matemática – como números ou tempo. Você tem algo mais para exemplo que tornaria tudo mais compreensível? Dr. Craig: Eu não. A dificuldade aqui é, pelo menos numa visão cristã das coisas, que tudo o que é físico – tudo no universo espaço-tempo – é criado por Deus e é, portanto, contingente.
Portanto, é realmente necessário procurar exemplos não-teológicos de seres necessários. O único lugar onde você pode realmente encontrar isso seria nos chamados objetos abstratos – coisas que não são concretas, feitas de matéria e energia, existindo no espaço e no tempo. Coisas como objetos matemáticos, proposições, propriedades, mundos possíveis. Eles são chamados de objetos abstratos. Acho que o exemplo da matemática é o mais claro. A maioria de nós, na aula de matemática, já pensou se os números existem ou não ou se existe um círculo perfeito? Todos sabemos que não existe um círculo perfeito no mundo físico, então todas essas aproximações são algum tipo de círculo perfeito abstrato? Essa coisa existe como um objeto abstrato? Se assim fosse, existiria necessariamente. Seria impossível dizer que simplesmente existe um círculo perfeito neste mundo, mas não existe nesses outros mundos.
Objetos matemáticos, para mim, são o exemplo mais acessível de algo que existe necessariamente, se existir. Se você quiser alguma explicação além disso tudo o que posso fazer é fazer uma pergunta e tentarei respondê-la. Existe algo que não está claro sobre a ideia de um ser cuja inexistência é impossível? Aluno: Eu lutei por muito tempo com este conceito de um ser necessário. Finalmente cheguei a algo que pelo menos me ajudou e talvez ajude outras pessoas também. Há uma infinidade de coisas que poderiam ter acontecido para me impedir de existir. Portanto, não sou um ser necessário. Não há nada que pudesse ter acontecido para impedir a existência de Deus. Por que é isso? Na minha mente (talvez seja um pouco estreito demais) Eu reduzi tudo ao fato de que ele não tem começo. Qualquer coisa que não tenha começo é necessária porque nada poderia ter acontecido para impedir a sua existência.
Só consigo pensar em duas coisas que não têm começo – Deus e (não entraremos no tempo, mas) o tempo dele (acho que provavelmente são tempos diferentes). Ambas as entidades não tiveram começo. A segunda coisa sobre números abstratos e tudo mais – para mim, esses são conceitos, e um conceito só pode existir se houver inteligência. Se não houver inteligência ou compreensão, não existe o número 7. Não existe raiz quadrada disto, daquilo e daquilo outro. Mas como Deus é necessário, ele é a inteligência. Então eles também são necessários, porque ele está aqui para tê-los como conceito. Dr. Craig: Deixe-me abordar segunda parte antes de tudo.
Você se lembra que em nossa discussão sobre os atributos de Deus falamos sobre asseidade divina ou auto-existência e o desafio colocado a isso pelo platonismo, que é a filosofia de que existem esses tipos de entidades abstratas, necessariamente existentes e incriadas, como números e conjuntos e formas geométricas e assim por diante. E uma das respostas cristãs, na verdade a principal resposta cristã a este desafio, é exatamente o que você disse: nomeadamente que estes são conceitos divinos, portanto não existem realmente independentemente de Deus. São ideias ou conceitos na mente de Deus. Então eu acho que essa é uma perspectiva defensável. Mas como enfatizei a você, ao apelar para este exemplo, mesmo as pessoas que são conceitualistas reconheceriam que se existissem esse tipo de entidades platônicas como números e conjuntos e assim por diante, eles seriam seres necessários.
Seriam coisas que existem por uma necessidade de sua própria natureza. Mas ele acha que não existe esse tipo de coisa. Ele pensa que estes são conceitos na mente de Deus. Eles não são realmente objetos abstratos. Enquanto eu me inclino a concordar com você que essas coisas não tem qualquer tipo de existência independente de Deus, Eu não acho que isso roube o poder da ilustração porque é o melhor exemplo de um ser necessário que não é Deus se o platonista estiver certo, se existir. Gostei muito do que você disse na sua primeira pergunta sobre nada poder impedir que Deus existisse enquanto que com seres contingentes eles poderiam ser impedidos de existir. Existem outros mundos possíveis onde essas coisas nunca aconteceram ou nunca vieram a existência. Mas eu quero resistir, no entanto, sua explicação do porque Deus não pode ser impedido de existir e por que outras coisas podem.
Você descobriu isso no fato de um início temporal. Eu não acho que isso esteja certo. Na verdade, Leibniz enfatiza que não se pode fugir de seu argumento dizendo que o universo é eterno ao passo que, como você explicou, você poderia evitar o argumento dele dessa maneira. Mas Leibniz diz que mesmo que o universo exista desde a eternidade, ainda é possível que não tenha existido. É logicamente possível que não exista universo algum, ou que exista um universo com um começo em vez de um universo eterno.
Mesmo dizendo que o universo não tem começo e é eterno no passado não responde à pergunta de Leibniz: “Por que existe algo em vez de nada?” Embora eu goste do que você disse sobre a necessidade de Deus significando ou implicando que nada pode impedir sua existência, eu não encontraria isso no fato de ele não ter começo porque... bem, acho que isso está incorreto e também permitiria ao ateu uma saída para este argumento. Aluno: Apenas uma pergunta de rápido entendimento. Dr. Craig: Certo. Aluno: Parece que o que estamos dizendo é, se existe um Deus como definimos Deus, ele é um ser necessário. Mas isso exige que digamos.. nossa definição de Deus é essa e, portanto, seria um ser necessário. Não é uma prova de que Deus existe. Estou entendendo isso corretamente? Dr. Craig: Mais ou menos.
Espere até chegarmos à premissa (2), onde diz: “Se o universo tem uma explicação, essa explicação é Deus”. É aí que Deus será puxado para a discussão. Mas não na premissa (1). A premissa (1) é apenas um princípio de que as coisas que existem têm explicações para por que existem, e essas explicações podem estar em alguma causa externa ou existir por uma necessidade de sua própria natureza. Na literatura filosófica, e nos escritos do próprio Leibniz, isso é chamado de princípio da razão suficiente. Leibniz apresentou uma versão muito radical deste princípio. A versão que tenho aqui é bastante modesta do princípio que considero muito plausível, como direi. Requer que simplesmente qualquer coisa existente tenha uma explicação para por que existe ao invés de não existir. Falaremos sobre se a premissa (2) é verdadeira ou não, e justificar porque chamamos esse ser de Deus.
Aluno: Talvez isso seja semelhante aos comentários do Bob, mas se me parece que só Deus tem sua existência por necessidade porque até o tempo começou a existir. Além disso, quando você pensa em números, você está olhando números são maneiras de considerar objetos. É um conceito, mas... Eu não sei como você poderia ter, sequer um conceito que esteja separado de Deus porque não consigo nem imaginar nada que possa existir que não tenha uma origem em Deus. Dr. Craig: Você quer dizer apartado de Deus? Então, sim, novamente, quero voltar à nossa discussão sobre a asseidade divina quando falamos sobre os atributos de Deus, e onde argumentei precisamente este ponto. Tudo o que existe além de Deus é contingente e dependente de Deus. Mas o que isso significa é que não sou platonista. Aluno: Ok Dr. Craig: Mas muitos matemáticos são platonistas.
Eles não fundamentam esses objetos em Deus em seus conceitos. Eles pensam que o número 1 e o conjunto dos números naturais e o círculo perfeito e outras formas geométricas são objetos reais que realmente existem. Eles são objetos abstratos. Estou dizendo que, no platonismo temos uma ilustração de um ser necessário não teológico. Então, estou tentando encontrar algo aqui que ilustre para leigos que ser necessário é aquele que não apela a Deus. Esse é o melhor exemplo que posso apresentar. Se você é platonista, você está carregado dessas coisas. Aluno: Mesmo nesse aspecto, para não entrar em detalhes, você tem que ter uma mente para conceber algo contingente ou algo necessário... É um conceito da mente. Mas então a mente não tem uma necessidade? Dr. Craig: Sim, sim. Aluno: Já que você tem que ficar sozinho.[1] Dr. Craig: Isso é interessante. Platão tinha um conceito que chamou o demiurgo.
Isso é uma espécie de “deus” com um “d” minúsculo. Ele é o criador do mundo físico. O que Platão diz é que estes objetos abstratos ou formas são as coisas mais reais. Eles existem independentemente de qualquer outra coisa e “deus” olha para as formas e então ele molda o mundo físico de acordo com o modelo deles. Portanto, o círculo perfeito é o modelo para essas aproximações que “deus” faz. Esses números são as entidades ideais quando “deus” faz três coisas, digamos, então há um, dois e três no reino das Formas. Sim, o mundo concreto na visão de Platão se deve à ação desse demiurgo, mas ele não é responsável por esse reino de formas ou objetos abstratos. Eles existem de forma bastante independente dele. Como você corretamente aponta, isso é totalmente incompatível, eu acho, com o teísmo cristão ou teísmo judaico-cristão.
Os pais da igreja rejeitaram o platonismo e eles tendiam a colocar essas coisas na mente de Deus – estas são as ideias de Deus. Eles internalizaram o reino das formas de Platão na mente de Deus. Então, quando apelo para esta ilustração, estou apelando para (na maior parte) matemáticos não-teístas e filósofos que ainda endossam o platonismo. Infelizmente, a verdade é que há muitos cristãos filósofos que também endossam o platonismo. Estou pensando em pessoas como Peter van Inwagen e Keith Yandell, que são platonistas. Estou perplexo com isso, mas há platonistas hoje que pensam que essas coisas são necessariamente seres existentes. Aluno: Não são estes então apenas um caráter de Deus? Esses conceitos? Em essência, eles estão dizendo que acreditam neste conceito mas eles não estão dando isso como parte do caráter de Deus. Dr. Craig: Eles não pensam que são conceitos.
Eles pensam que são objetos reais. Eles são tão reais quanto esta cadeira ou você. De certa forma, eles são mais reais em certo sentido, pois existem necessariamente, enquanto a cadeira e você são apenas contingentes. Aluno: Você não pode objetivar essas coisas sem a mente. Você não pode ter um conceito de unidade e números em abstração, a menos que haja uma mente que pressuponha que você possa entender tal coisa. Dr. Craig: Mais uma vez, estamos voltando à nossa discussão anterior sobre a asseidade divina. Não quero passar por isso de novo aqui porque tudo o que estou tentando fazer é ilustrar a ideia para você de um ser necessário. Concordo com você que o platonismo é falso. Estamos a bordo um com o outro, certo? Mas será que entendemos a ideia de um ser que existe por uma necessidade da sua própria natureza – um ser que não pode deixar de existir? Se você tiver essa ideia, tudo bem.
Isso é tudo que queremos estabelecer. E como isso é distinto de um ser contingente que acontece de existir, mas pode deixar de existir se as coisas tivessem acontecido de outra forma e, portanto, tivessem alguma causa fora de si. Agora, acho que Juan tinha um comentário que queria fazer. Aluno: Podemos usar uma descrição substituta para ser necessário como um conjunto de conceitos divinos? Porque João 1:1 diz: “No princípio era o Verbo.” A Palavra são apenas conceitos divinos. Como temos a capacidade de pensar em conceitos pode haver uma lei segundo a qual os conceitos podem se unir e se tornar um conjunto e esse conjunto nós o chamamos de Deus. Dr. Craig: Bem, irei com você em parte nisso. “No princípio era o Verbo”, ou o Logos. Isto é quem se diz que Jesus Cristo é. Ele é o Logos encarnado.
Como indiquei em resposta a perguntas anteriores, os padres da igreja localizaram estes objetos abstratos no Logos. O Logos é a mente de Deus. Essas coisas são conceitos na mente de Deus. Mas todas essas questões dizem respeito à lição anterior que já abordamos, que já terminamos, sobre a autoexistência ou asseidade divina. Tudo o que estamos falando aqui agora é: é verdade que tudo que existe tem uma explicação para sua existência? Existem dois tipos de explicação. Eu acho que vocês entenderam. Vocês só querem falar sobre essa outra coisa. OK. Mais uma pergunta. Aluno: Talvez estejamos procurando mais literatura sobre isso? Dr. Craig: Ah, isso é fácil de dar. Aluno: Eu fiz esta pergunta ao meu amigo – Por que existe algo em vez de nada? – isso provavelmente foi há um mês. Ele se afastou pedindo para pensar sobre isso.
Cerca de duas semanas atrás, perguntei novamente a ele: “Você chegou a uma conclusão?” Ele disse não. Ele ainda está procurando. Agora vou investigar isso também, para ajudá-lo. Existem alguns artigos por aí, mas são muito complexos. Não sei aonde mais podemos recorrer sobre esta questão específica e este argumento. Dr. Craig: Você leu o tratamento deste argumento, por exemplo, Razão da Nossa Fé?[2] Aluno: Não li. Dr. Craig: OK, esse é um ponto de partida. Tem notas de rodapé lá que você pode seguir para ler mais literatura sobre o argumento de Leibniz. Você pode voltar e ler o próprio Leibniz. Aluno: Existe algum capítulo específico aí que eu deveria examinar? Não entendi. Aluno: Existe algum capítulo específico? Dr. Craig: Sim, é o capítulo 3 do livro. Aluno: Ok. Esse é um lugar para procurar. Como eu disse, há citações de literatura e bibliografia adicionais lá.
A explicação da existência e a ilustração da bola
Tudo bem. Bem agora, que razão pode ser oferecida para pensar que a premissa (1) é verdadeira? Por que deveríamos pensar que isso é verdade? Acho que quando você reflete sobre isso, há uma espécie de obviedade sobre a premissa. Se algo existe contingentemente – como, digamos, se existe um unicórnio em vez de nenhum unicórnio – então precisa haver algum tipo de explicação para o porquê de uma dessas alternativas é realizável e não a outra. Por que o unicórnio realmente existe ao invés de não existir quando sua inexistência era possível? Richard Taylor, que foi um proeminente filósofo americano do século XX, dá uma ilustração maravilhosa para isso. Ele diz: imagine que você está andando pela floresta e de repente se depara com uma bola translúcida caída no chão da floresta. Ele disse que você naturalmente se perguntaria por que isso existe. Como foi parar lá?
E se você estiver caminhando, um amigo lhe disse: “Esqueça isso! Simplesmente existe inexplicavelmente! Não há explicação para sua existência.” Taylor diz que você não aceitaria isso. Você pensaria que o cara estava apenas brincando ou queria que você continuasse andando. Mas é óbvio que haveria algum tipo de explicação para a existência dessa bola. Agora observe que o simples aumento do tamanho da bola, digamos, até que ela fique do tamanho de um automóvel, não explica a sua existência. Ou torná-lo ainda maior para o tamanho de uma casa. Mesmo problema. Suponha que seja do tamanho de um planeta. Mesmo problema. Suponha que seja do tamanho de uma galáxia. Mesmo problema. Suponha que seja do tamanho de todo o universo. Mesmo problema. Apenas aumentar o tamanho do objeto não fornece uma explicação para sua existência.
Se você tem a sensação de que encontrar uma bola na floresta requer uma explicação para sua existência, isso, penso eu, levará inevitavelmente a dizer que objetos cada vez maiores (até mesmo o próprio universo) terão que ter uma explicação para sua existência porque simplesmente aumentar o tamanho da bola não contribui em nada para fornecer ou eliminar a necessidade de uma explicação para a sua existência. Agora, com isso vamos encerrar hoje. Na próxima vez, abordarei algumas respostas ateístas à premissa (1) para tentar isentar o universo deste princípio. Então nos veremos na próxima semana.



