Fé Razoável com William Lane Craig

Doutrina de Deus: Trindade (Parte 6): Panorama Histórico 2/4 - Modalismo

William Lane Craig · Seção 05 / Aula 06 ·

Resumo da equipe Fé Razoável, preparado com auxílio de IA

William Lane Craig apresenta o modalismo e a resposta de Tertuliano em Contra Práxeas. A aula distingue a unidade da natureza divina da diversidade de pessoas, examina a linguagem usada para Pai, Filho e Espírito Santo e discute as implicações da Trindade para a oração e a vida cristã.

O modalismo e a resposta de Tertuliano

Na última vez em que estivemos juntos nós falamos sobre a Cristologia do Logos dos primeiros apologistas gregos. Essa doutrina foi incorporada à teologia ocidental por meio do pai da igreja Irineu. Durante o século seguinte – o terceiro século – uma concepção muito diferente das pessoas divinas surgiu em contraste com a doutrina do Logos dos apologistas gregos. Pessoas como Noeto, Práxeas, e Sabélio enunciaram uma visão bastante diferente de Deus – uma visão unitária de Deus – que é conhecida por vários nomes: Modalismo, Monarquianismo, ou Sabelianismo. De acordo com essa visão, o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são pessoas distintas. Há apenas uma pessoa que é Deus.

Ou foi o próprio Pai quem se encarnou e sofreu e morreu na cruz, o Filho foi no máximo o lado humano do Pai, por assim dizer – o rosto humano de Deus Pai. Ou, alternativamente, o único Deus assumiu sequencialmente três papéis em sua relação com a humanidade: primeiro, o Pai; depois o Filho, e depois o Espírito Santo. Um dos melhores tratados escritos contra esse primeiro Modalismo é do pai da igreja norte-africano Tertuliano que escreveu um tratado chamado Contra Práxeas (uma refutação das opiniões de Práxeas). Esse é muito digno de leitura hoje. Se você quiser ler um tratado de um dos pais da igreja primitiva, eu acho que este é provavelmente o que eu recomendaria.

Contra Práxeas, de Tertuliano, é uma obra brilhante. Extremamente influente em seu tratado, Tertuliano trouxe maior precisão a muitas das ideias e também introduziu grande parte da terminologia que mais tarde seria adotada nas formulações credais da doutrina da Trindade. De fato, a palavra trinitas ou “Trindade” vem de Tertuliano.

Monarquia e economia divina

Tertuliano estava muito ansioso para preservar o que se chamava a monarquia divina, que era uma palavra usada pelos primeiros apologistas gregos para o monoteísmo. Falar da monarquia de Deus era falar do único Deus verdadeiro – o único Deus. Monoteísmo. Enquanto ele queria insistir na verdade da monarquia, Tertuliano também queria enfatizar o que ele chamava de economia divina – uma palavra que ele tomou emprestada de Irineu. A palavra “economia” em referência a Deus parece se referir à maneira como o único Deus existe. Há um só Deus, mas ele não existe apenas como uma pessoa, como pensavam os Monarquianos ou os Modalistas. Ele diz que o erro dos Monarquianos foi “pensar que não se pode crer em um só Deus de nenhuma outra forma senão dizendo que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são a mesmíssima pessoa.” Mas Tertuliano pensa que, embora todos sejam um por unidade de substância, ele continua dizendo: "o mistério da economia... distribui a unidade em uma Trindade, colocando em sua ordem as três pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo: três, porém, não em condição, mas em grau; não em substância, mas em forma; não em poder, mas em aspecto; ainda assim de uma só substância, e de uma só condição, e de um só poder, na medida em que Ele é um só Deus, de quem esses graus e formas e aspectos são considerados, sob o nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." Na visão de Tertuliano, há um só Deus – uma substância que Deus é – mas então isso é distribuído nessa economia de três pessoas, cada uma das quais é Deus.

Uma substância e pessoas distintas

Agora, quando Tertuliano diz que o Pai, o Filho, e o Espírito Santo são todos uma só substância, ele está usando a palavra “substância” nos dois sentidos que o filósofo grego Aristóteles empregava esse termo. De um lado, segundo Aristóteles, uma substância é simplesmente qualquer coisa individual. Qualquer coisa que existe é uma substância. Então esta mesa é uma substância. Eu sou uma substância. Aquela cadeira é uma substância. A planta é uma substância. Elas são apenas coisas individuais. Ele diria que há uma coisa que é Deus. Não há três deuses. Essas três pessoas são uma coisa, a saber, Deus. Mas o outro sentido em que Aristóteles usava a palavra “substância” era para designar a essência de uma coisa ou sua própria natureza.

Portanto, falar de substância nesse sentido era falar das propriedades que tornam uma coisa o que ela é. Então, por exemplo, uma cadeira tem uma essência ou natureza diferente da de uma mesa ou da de um cavalo. Elas têm naturezas diferentes ou essências diferentes. É por isso que elas são coisas diferentes – porque têm propriedades essenciais diferentes. Tertuliano quer afirmar que as três pessoas também compartilham a mesma natureza divina essencial. Elas são uma só coisa – Deus – mas também compartilham a mesma natureza. Ao responder ao texto-prova que os Monarquianos frequentemente usavam – João 10:30, “Eu e o Pai somos um” – Tertuliano aponta que o fato de haver aqui um sujeito plural “Eu e o Pai” e um verbo plural “somos” indica que há duas entidades – ou seja, duas pessoas.

Mas ele diz que o predicado aqui – “um” – é um substantivo abstrato (não pessoal). Em latim, é a palavra unum, não unus – não um pronome pessoal, mas um pronome abstrato. “Eu e o Pai somos um” – unum. Ele comenta: "Unum, um termo neutro, ... não implica singularidade de número, mas unidade de essência, semelhança, união, afeição por parte do Pai, ... ... e submissão por parte do Filho... Quando Ele diz: 'Eu e o Pai somos um' em essência – unum – Ele mostra que há dois, a quem Ele coloca em igualdade e une em um." Portanto, no texto-prova: “Eu e o Pai somos um,” há uma multiplicidade de pessoas (duas pessoas distintas) mas uma unidade de essência.

“Eu e o Pai somos um” – não uma só pessoa, mas um em essência. Eles têm a mesma natureza. Quando Tertuliano diz que a monarquia é distribuída na economia em três formas ou aspectos, ele não está afirmando o Modalismo. Pelo contrário, o que ele está dizendo é que a diversidade das pessoas, todas, compartilham a mesma natureza. Elas são uma substância, uma só coisa, tendo uma só natureza.

Pessoas autoconscientes

Tornou-se uma sabedoria convencional hoje dizer que quando esses pais da igreja como Tertuliano diziam que Deus é três pessoas eles não queriam dizer isso no sentido moderno psicológico de “pessoa” – como alguém que é um centro de autoconsciência – “eu”. Em vez disso, eles apenas queriam dizer que há três indivíduos mas não três pessoas nesse sentido psicológico. Mas eu penso que, ao ler o próprio Tertuliano, o que você encontrará é que essa afirmação é, digamos, muito exagerada. Parece-me que Tertuliano de fato pensa no Pai, no Filho e no Espírito Santo como três pessoas autoconscientes. Por exemplo, em uma passagem notável que tem como objetivo ilustrar a doutrina do Filho como o Logos imanente na mente do Pai (lembre-se, é isso que os apologistas gregos acreditavam – o Logos era originalmente imanente dentro do Pai como a razão ou mente do Pai), Tertuliano convida o leitor, que ele diz ter sido criado à imagem e semelhança de Deus e assim, nesse sentido, é semelhante a Deus, a pensar sobre o papel da razão no pensamento autorreflexivo do próprio leitor.

Ele diz: "Observe, então, que quando você está conversando silenciosamente consigo mesmo, esse próprio processo ocorre dentro de você por meio de sua razão, que se encontra com você com uma palavra a cada movimento do seu pensamento, a cada impulso da sua concepção." Tertuliano está pensando aqui na sua própria razão como uma espécie de parceiro de diálogo com o qual você interage em um pensamento autorreflexivo. E creio que provavelmente todos nós já tivemos essa experiência – um tipo de conversa consigo mesmo em que você está de certa forma envolvido nessa conversa autorreflexiva consigo próprio. Tertuliano diz que, quando fazemos isso, essa razão dentro de você encontra você como uma espécie de pessoa autoconsciente.

Ele diz que, em certo sentido, a palavra é uma segunda pessoa dentro de você por meio da qual você gera pensamento. Agora, é claro, Tertuliano reconhece que nenhum ser humano é literalmente duas pessoas. Mas ele diz que, quando você conduz essa conversa consigo mesmo, é como se fossem duas pessoas dentro de você. E ele diz que, no caso de Deus, isso acontece de forma muito mais plena em Deus porque Deus contém seu logos imanente, mesmo quando Ele não está falando, quando está, quando está em silêncio. Além disso, quando Tertuliano quer provar que o Pai e o Filho são pessoalmente distintos um do outro ele cita passagens das Escrituras, nas quais o Pai e o Filho usam pronomes de primeira pessoa e de segunda pessoa em diálogo um com o outro.

Então, por exemplo, ele cita o Salmo 2:7 onde Deus diz: “Você é meu Filho, hoje eu gerei você.”[1] Citando esse versículo, Tertuliano diz ao Modalista: “Se você quer que eu acredite que Ele é tanto o Pai quanto o Filho, mostre-me alguma outra passagem onde se declara: ‘O Senhor disse a si mesmo: Eu sou meu próprio Filho, hoje a mim mesmo me gerei.’” E, claro, não existe tal passagem. Ele cita inúmeras passagens que, por meio do uso desses pronomes pessoais, mostram a relação eu-você na qual o Pai e o Filho se colocam um diante do outro. Uma relação eu-você – cada um usa o pronome de primeira pessoa apropriado ao falar com o outro como pessoa. Ele desafia o Modalista a explicar como um ser que é absolutamente um e singular pode usar pronomes de primeira pessoa do plural como “Façamos o ser humano à nossa imagem”.

Creio que é muito claro que Tertuliano pensa no Pai, no Filho e no Espírito Santo também como capazes de usar pronomes pessoais por meio da autorreferência e ao se dirigirem uns aos outros usando pronomes de segunda pessoa – “você” – o que mostra que eles são pessoas autoconscientes. Tertuliano conclui: “nessas poucas citações a distinção de pessoas na Trindade é claramente apresentada.” Acho muito difícil evitar a conclusão de que Tertuliano de fato acredita que as pessoas da Trindade são três indivíduos autoconscientes distintos.

A geração do Filho em Tertuliano

A única qualificação que talvez possa ser feita a esse quadro reside em um vestígio da antiga doutrina do Logos dos apologistas na teologia de Tertuliano. Ele não apenas aceita a visão deles de que há relações de derivação entre as pessoas da Trindade – que o Filho, por exemplo, é gerado do Pai – mas ele também sustenta a visão de que essas relações não são eternas. Ele chama o Pai de “a fonte da divindade.” Ele diz: “o Pai é toda a substância, mas o Filho é uma derivação e porção do todo.” O Pai, ele diz, existe eternamente com o Logos imanente dentro de sua mente. Mas então, no momento da criação, o Logos procede do Pai e torna-se seu Filho unigênito por meio de quem o mundo é criado.

Assim, o Logos torna-se o Filho de Deus apenas quando ele procede do Pai como um ser substantivo. Tertuliano gosta muito de usar analogias como o raio de sol emitido pelo sol ou o rio que flui da fonte para mostrar a unidade do Filho com o Pai de quem ele procede. Mas ele não via essa processão como eterna, como os teólogos posteriores viriam a fazer. Ele vê isso como algo que começa no momento da criação. O Filho, em sua visão, é “Deus de Deus.” Uma frase que mais tarde será incorporada no credo niceno. Ele é Deus de Deus. Da mesma forma, o Espírito Santo também procede do Pai por meio do Filho. Se eu o entendo corretamente, parece que Tertuliano consideraria o Filho e o Espírito como pessoas distintas somente após sua procedência a partir do Pai.

Antes disso (por assim dizer, antes do momento da criação), eles são meramente imanentes no Pai – ele é a fonte de onde eles fluem. Mas, nesse ponto, eles não são pessoalmente distintos. No entanto, uma vez que o Logos procede do Pai e o Espírito do Pai e do Filho, eles são claramente então pessoas distintas a partir desse ponto. Por meio dos esforços de pais da igreja como Tertuliano, Orígenes, Novaciano e muitos outros, a igreja passou a rejeitar o Modalismo como uma compreensão adequada de Deus e a afirmar que há três pessoas distintas dentro da Divindade, que são chamadas de Pai, Filho e Espírito Santo. Durante o século seguinte, a igreja seria confrontada com um desafio vindo da extremidade oposta do espectro – o Arianismo – que afirmava a distinção pessoal do Pai e do Filho, mas negava a divindade do Filho.

Como veremos, enquanto os Modalistas afirmavam que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos Deus, mas não pessoas distintas, Ário afirmava que o Pai, o Filho e o Espírito são pessoas distintas, mas não são todos Deus. Somente o Pai é Deus; o Filho é, na verdade, uma criatura que foi feita por Deus.

Discussão: Escrituras, oração e Trindade

Agora, há alguma pergunta ou discussão sobre o modalismo? Vamos levar um microfone até você para que possamos ouvir sua pergunta. Sim. Estudante: Dr. Craig, este é um tema sobre o qual passo muito tempo refletindo. Às vezes, a resposta que recebo das pessoas – porque escrevo sobre esse tema – é um tipo de preciosismo teológico, porque Deus é ou três manifestações ou três pessoas. Isso não importa realmente. Eles acreditam que Jesus é Deus de qualquer forma. Como o senhor responderia a isso? O senhor considera isso muito importante? Central? A Trindade versus o Modalismo? Dr. Craig: É importante entender que os Modalistas, ao menos, afirmavam a divindade de Cristo, ao contrário de Ário.

Parece-me que o erro de Ário é mais grave, porque em sua visão o Filho é apenas uma criatura, o que tornaria sua adoração idolátrica. Com relação ao Modalismo, creio que ele simplesmente não pode fazer justiça ao ensino das Escrituras. Eles teriam que dizer que foi o Pai quem se encarnou e sofreu e morreu na cruz. Isso claramente não está certo, porque Jesus durante sua vida é capaz de orar e depender do Pai. Ele é guiado pelo Espírito Santo. O Modalismo, ao que me parece, simplesmente não pode fazer justiça ao texto bíblico que mostra que essas pessoas são três membros distintos da Divindade e que não devemos confundi-las umas com as outras pensando que foi o Pai quem morreu na cruz.

Manter as pessoas da Trindade bem definidas, acredito, terá importância prática para nossa vida devocional, nossa vida cristã. Por exemplo, Jesus nos ensinou a orar ao Pai em nome do Filho e depois pelo poder do Espírito Santo. Ao manter essas pessoas da Trindade bem definidas, isso pode nos ajudar a ordenar nossa vida devocional de forma adequada; por exemplo, na oração. Estudante: Como os Modalistas da época faziam a exegese de passagens em que Jesus está orando ao Pai ou quando é muito claro (pelo menos para mim) que são pessoas distintas? Dr. Craig: Parece que o melhor que eles poderiam fazer seria dizer que na encarnação Cristo tinha um lado humano ou uma natureza ou aspecto humano e que é a natureza ou o aspecto humano que está orando à natureza ou aspecto divino.

Ele está realmente falando consigo mesmo nessas orações, mas eles tentariam dar sentido a isso dizendo que é o lado humano falando com o lado divino. Estudante: Isso não faz sentido para mim a menos que sejam duas pessoas diferentes. Dr. Craig: Estou apenas tentando responder como eles diriam. Mas acho que você está absolutamente certo. É uma resposta completamente inadequada para lidar com a vida de oração de Jesus, por exemplo, quando Ele diz ao Pai: “não se faça a minha vontade, e sim a tua”, e assim por diante. Estudante: Eu tinha uma pergunta sobre essas heresias que estamos estudando. Eu entendo o Modalismo como uma heresia diferente do Monarquianismo.

Isso está correto ou não? Dr. Craig: Não no meu entendimento. Meu entendimento é que ambas são visões unitárias de Deus. Elas podem ter explicações diferentes de como é que Deus aparenta ser três. Lembre-se que eu disse que podem dizer que Jesus é uma espécie de natureza humana de Deus, ou podem dizer: não, isso é Deus desempenhando três papéis sequenciais. Você poderia ter diferentes relatos de como surge a aparência de trindade, mas elas seriam unidas em sua convicção fundamental de que Deus é uma só pessoa, e que a aparência de trindade é apenas isso – é meramente uma aparência, não é real. Estudante: Quando penso em Monarquianismo, estava pensando mais na linha de que quem quer que tenha inventado a heresia via a Trindade como sendo toda da mesma substância porém com uma subordinação na Trindade – uma subordinação do Filho ao Pai e do Espírito a ambos.

Dr. Craig: Esse não é o meu entendimento de Monarquianismo. Em certo sentido, isso soa quase ortodoxo, porque na visão ortodoxa há essa noção de que o Filho é gerado do Pai – o Pai é uma espécie de fonte da qual o Filho procede. Ele existe por causa do Pai. Depois, o Espírito procede do Pai e do Filho. Há esse tipo de dependência. Você está certo. Você não quer dizer que é subordinação no sentido de inferioridade, porque eles afirmam que todos têm a mesma natureza. Mas há uma espécie de dependência. Se essa é ou não uma subordinação aceitável, acho que é uma questão realmente debatida. Estudante: Eu apenas diria que na economia da redenção há subordinação, mas isso é diferente do que estamos falando.

Dr. Craig: Concordo. O que ele está mencionando aí é a diferença entre o que é às vezes chamado de Trindade ontológica e Trindade econômica. A Trindade ontológica seria o Pai, o Filho e o Espírito Santo como são em si mesmos – Deus em si mesmo. Ali, não há subordinação no sentido de inferioridade ou subordinação de uma pessoa a outra. Mas na Trindade econômica, essa é a forma como a Trindade interage com a humanidade no plano da salvação. Ali, há subordinação porque o Filho se submete e faz a vontade do Pai. O Espírito Santo não se glorifica; Ele glorifica o Filho e fala aquilo que lhe foi dito para dizer. Ali, na Trindade econômica, você tem uma espécie de subordinação, mas ela não é ontológica.

Seria o tipo de subordinação que você teria em um relacionamento conjugal, onde a esposa e o marido são iguais diante de Deus mas, para a economia da família, a esposa se submete à liderança amorosa de seu marido. Isso não implica em sua inferioridade de forma alguma. É um tipo de submissão puramente econômica. Sim. Aqui embaixo. Estudante: Eles diriam que não há distinção de pessoas, certo? É tudo uma substância, mas não há distinção de pessoas. Como isso se traduz no fato de que todos os seres humanos carregam a imagem de Deus? Mesmo que todos compartilhemos a mesma natureza, não somos todos a mesma pessoa. Obviamente há uma multiplicidade de pessoas humanas ao redor, mas todos compartilhamos uma coisa em comum – a nossa humanidade.

Todos temos a mesma imago Dei, mas há uma diversidade de pessoas, mesmo assim. Como eles explicariam como a imago Dei é expressa? Dr. Craig: A ideia seria que os seres humanos têm a mesma natureza. Aristóteles dizia que a natureza da humanidade é ser um animal racional. Temos um corpo biológico, mas uma alma racional. Quando temos três instâncias dessa natureza, temos três indivíduos diferentes. Temos Adão, João e Jorge – cada um deles possui a mesma natureza humana fundamental, mas cada um exemplifica essa natureza ou instancia essa natureza como um homem individual. Veremos que isso se torna muito importante nesses debates trinitários sobre o Arianismo.

Não acho que isso seja um problema para o unitarista. O unitarista diria que Deus é uma pessoa e cada um de nós é uma pessoa. Nesse sentido, somos como Deus. Somos feitos à sua semelhança e imagem. Somos cada um uma pessoa. O que o trinitarista diria é que nós não compartilhamos a natureza de Deus na medida em que cada um de nós é uma pessoa e não três pessoas. Certo. Havia outra pergunta? Sim? Estudante: Sim. Apenas dando seguimento à pergunta do Cody, também fiquei curioso sobre como o Modalista lida com Jesus se referindo ao Espírito Santo quando ele diz que está partindo, mas enviará um Consolador em seu lugar. Como eles lidam com isso quando se supõe que há um outro?

Dr. Craig: Aqui seria o ponto... em que o que eles diriam é que Jesus diz: Certo, o Espírito Santo virá depois que eu partir. Ele sai da sala, troca de roupas e volta como o Espírito Santo. É realmente apenas interpretação de papéis. É, na verdade, um disfarce. Onde fica difícil é quando você tem as três pessoas ao mesmo tempo, como no batismo de Jesus, quando o Pai diz: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” e o Espírito desce sobre o Filho em forma de pomba. É aí que fica difícil para o Modalista dizer que esses são três papéis sequenciais desempenhados por uma só pessoa, porque todos estão ali interagindo uns com os outros ao mesmo tempo.

Certo, então agora vamos encerrar. Na próxima semana, veremos o desafio que a igreja enfrentou no Arianismo e como isso levou ao Concílio de Niceia e à codificação da doutrina da Trindade.

Bênção final

Vamos encerrar agora com uma bênção. E agora, que o Espírito Santo os encha e os guie ao longo desta semana, para que possam cumprir toda a vontade do nosso Deus e Pai, para a glória de Seu Filho, Jesus Cristo. Amém.

Aula de William Lane Craig. Publicação original: Reasonable Faith. © 2016 William Lane Craig. Tradução e edição em português: Fé Razoável. Transcrição da versão em português, revisada em 20/10/2026; citações bíblicas conferidas na NAA.