Resumo da equipe Fé Razoável, preparado com auxílio de IA
Craig distingue naturalismo metodológico de naturalismo metafísico e questiona limites filosóficos impostos às explicações científicas. Explica que o projeto da aula busca integrar teologia e evidências, sem depender de classificar a inferência de design como ciência. A discussão trata do Deus das lacunas, das ciências históricas e da inferência à melhor explicação; ao final, começa a examinar a origem da vida.
Naturalismo metodológico e metafísico
Na última aula, argumentei que, ao contrário do que vocês costumam ouvir dos dois lados do debate entre criação e evolução, a teoria contemporânea da evolução biológica não afirma que as mutações sejam desprovidas de direção ou orientação e que, portanto, o processo evolutivo não tenha propósito. Em vez disso, vimos que os biólogos evolucionistas, ao dizerem que as mutações ocorrem aleatoriamente, querem dizer que elas ocorrem independentemente do benefício que possam trazer ao organismo hospedeiro. E essa definição não é de modo algum incompatível com um processo evolutivo dirigido ou orientado por Deus, ou mesmo com Deus intervindo milagrosamente no processo evolutivo para causar mutações fundamentais que produziriam avanços evolutivos.
Agora, isso levanta uma questão relacionada: o naturalismo metodológico. Muitos filósofos e cientistas argumentariam que a ciência, por sua própria natureza, está comprometida com uma espécie de naturalismo metodológico. Agora, é importante entender que isso não é sinônimo de naturalismo metafísico. O naturalismo metafísico é uma tese sobre a natureza da realidade: a realidade consiste simplesmente no espaço-tempo e em seu conteúdo, o mundo físico. Isso é naturalismo metafísico. Mas o naturalismo metodológico sustenta que a ciência busca apenas explicações naturais para os fenômenos do mundo. Buscar explicações naturais é simplesmente parte da metodologia científica para explicar diversos efeitos. E portanto, explicações sobrenaturais de algum fenômeno nem sequer seriam admitidas no conjunto das opções explicativas viáveis.
Ao examinar as opções explicativas viáveis para um conjunto de dados empíricos, a ciência nem sequer consideraria explicações sobrenaturais, pois está metodologicamente comprometida com a busca de explicações naturais para os dados. E assim, tais explicações sobrenaturalistas nem sequer seriam consideradas. E, portanto, até muitos cientistas cristãos concordariam que estão metodologicamente limitados à busca de explicações naturais. E isso, é claro, excluiria recorrer a Deus como explicação para a origem da vida e a evolução da complexidade biológica.
Limites da restrição metodológica
Agora, o que poderíamos dizer sobre o naturalismo metodológico? Bem, penso que o aspecto marcante do naturalismo metodológico é que ele não é uma perspectiva científica, mas uma perspectiva filosófica. Não é uma questão à qual as evidências científicas sejam pertinentes. Trata-se, antes, da filosofia da ciência, da natureza da ciência. E, como tal, devemos nos perguntar: por que devemos nos comprometer com essa tese filosófica? Como observou William Dembski, teórico do design inteligente, o naturalismo metodológico nos impediria de inferir design mesmo que descobríssemos que cada átomo do universo traz uma etiqueta: “Feito por Deus”. Vocês ainda estariam metodologicamente proibidos de inferir que Deus fez essas coisas.
Falando mais seriamente, suponham que a vida e a complexidade biológica fossem realmente o resultado de intervenções criadoras e milagrosas em diversos momentos do passado, realizadas por Deus. Suponham que de fato vivamos em um mundo assim, no qual Deus interveio no processo evolutivo para produzir formas que, de outro modo, não teriam evoluído. Seria uma tragédia, não seria? Tanto do ponto de vista científico quanto pessoal, se fôssemos impedidos de descobrir a verdade sobre a realidade simplesmente por uma restrição metodológica. A metodologia deveria nos ajudar a descobrir a verdade sobre a realidade, e não nos impedir de fazê-lo.
E, assim, penso que há questões sérias que podem ser levantadas sobre um naturalismo metodológico estrito.
Integração teológica e explicação naturalista
Mas deixemos esse ponto de lado. O ponto mais importante que quero destacar é que, neste momento, não estamos preocupados com aquilo que um cientista poderia inferir como a melhor explicação da complexidade biológica. Em vez disso, nossa pergunta, como vimos, é: como, de uma perspectiva teológica, devemos integrar o que a Bíblia ensina com aquilo que descobrimos por meio de evidências empíricas? Não estamos tentando justificar uma inferência de design. Estamos, antes, tentando integrar nossa teologia às evidências empíricas. Estamos tentando entender como esses dois conjuntos de verdades se harmonizam da melhor maneira. Mesmo que o cientista trabalhe dentro das restrições do naturalismo metodológico, não há essa restrição para o teólogo sistemático, que é livre para elaborar uma visão integradora ou sinóptica do mundo, levando em conta tanto os dados da ciência moderna quanto os dados da revelação divina.
Assim, o teólogo sistemático poderia admitir que a teoria neodarwinista da evolução biológica pode muito bem ser a melhor teoria naturalista que temos. Se, em consequência do naturalismo metodológico, o conjunto das opções explicativas viáveis estiver limitado a hipóteses naturalistas, então, pelo menos até muito recentemente, a teoria neodarwinista da evolução biológica, impulsionada pelos mecanismos de mutação aleatória e seleção natural, era basicamente a única opção disponível. As hipóteses naturalistas rivais simplesmente não conseguiam igualar seu poder explicativo, seu alcance explicativo e sua plausibilidade. Portanto, era a melhor explicação naturalista. Por mais improvável que pudesse parecer, por mais que seus mecanismos explicativos precisassem ser extrapolados enormemente para além das evidências testáveis, por mais que faltassem evidências para muitos de seus princípios, ainda é a melhor explicação naturalista, pois não há outra explicação naturalista que sequer se aproxime dela.
Philip Johnson, um dos pioneiros do movimento do design inteligente, disse estar plenamente disposto a concordar com a afirmação do teórico evolucionista de que a evolução é a melhor hipótese naturalista disponível para explicar a complexidade biológica. É a melhor teoria naturalista, ele concordaria. Mas o que ele contesta é a afirmação de que a teoria evolutiva seja a melhor explicação simpliciter, ou a melhor explicação, ponto final. Se admitíssemos no conjunto das opções explicativas viáveis hipóteses não naturalistas, ele pensa que deixaria de ser evidente que a teoria evolutiva é a melhor explicação dos dados. Portanto, vamos abordar nossa questão de uma perspectiva teológica e perguntar como, considerando os dados bíblicos e as evidências empíricas, devemos compreender da melhor maneira a origem da vida e o desenvolvimento da complexidade biológica.
E, ao fazermos isso, quero enfatizar que abordo essas questões como teólogo, e não como biólogo profissional, com o interesse de um leigo nessas questões científicas.
Discussão: Deus das lacunas e design inteligente
Alguma discussão sobre o naturalismo metodológico e a abordagem do nosso projeto nesta aula?
Aluno: Você acha que a inclinação ao naturalismo metodológico é uma causa principal de tantas pessoas recorrerem à explicação do Deus das lacunas quando alguém apresenta...
Dr. Craig: Certo, vamos definir alguns termos. Você mencionou o chamado Deus das lacunas. Isso se tornou quase um aforismo na cultura contemporânea: se existe algo que seja um anátema, qualquer coisa a que não se deva recorrer, é o Deus das lacunas. O que significa essa expressão? Bem, essa expressão se refere a usar Deus para preencher as lacunas de nosso conhecimento científico. Se há algo que, atualmente, é cientificamente inexplicável, você pode dizer: “Ahá! Deus fez isso. Foi aqui que Deus interveio”. E o perigo desse tipo de raciocínio do Deus das lacunas é que, à medida que a ciência avança e preenche essas lacunas, Deus vai sendo progressivamente excluído do cenário e se tornando cada vez mais irrelevante.
Agora, observem que esse perigo não diz absolutamente nada sobre a verdade das intervenções de Deus ou de sua atividade no mundo. Em certo sentido, quem adverte contra o Deus das lacunas está apenas dando um pequeno conselho evangelístico. Está dizendo que é melhor não usar argumentos a favor de Deus baseados na ignorância científica, pois eles podem se voltar contra você. E o evangelista cristão pode dizer: “Bem, muito obrigado. Talvez seja um bom conselho, e vou segui-lo”. Mas isso realmente não é uma questão sobre a verdade do teísmo ou sobre como Deus produziu a complexidade biológica. Talvez realmente existam lacunas.
Talvez realmente tenha havido intervenções divinas e milagrosas ao longo do caminho. Mas está apenas dizendo que fazer isso é um tanto imprudente, pois pode ser contraproducente. Bem, muito obrigado. Agora, penso que isso está relacionado ao naturalismo metodológico, pois uma das motivações para o naturalismo metodológico seria não tentar usar Deus como um recurso provisório para suprir a ignorância científica. Se você adota um naturalismo metodológico, sempre buscará encontrar explicações naturais para os fenômenos naturais e, portanto, não poderá cair na armadilha de postular um Deus das lacunas, pois isso nem sequer será admitido no conjunto das opções explicativas viáveis.
Aluno: Sim. Bem, eu só estava pensando: isso não explicaria por que a pessoa, no contexto de um debate com alguém que tem a perspectiva naturalista metodológica, seria... Só estou dizendo: isso a inclinaria mais a dizer, ou simplesmente a descartar isso como explicação sempre que alguém postula Deus como explicação para qualquer coisa?
Dr. Craig: Bem, se ela entende isso como uma inferência científica, então dirá que isso está metodologicamente excluído. E uma das tarefas dos teóricos do design inteligente, como William Dembski, tem sido argumentar que, na verdade, eles não estão postulando um Deus das lacunas. De fato, os teóricos do design inteligente nem sequer estão postulando Deus. Eles enfatizam muito que não estão inferindo Deus como explicação. Estão, antes, inferindo design inteligente. E diriam que essa inferência é comum nas atividades científicas. E darão muitos exemplos. Por exemplo, a criptografia, na qual se tenta decifrar uma mensagem e é possível distinguir entre letras meramente aleatórias e uma mensagem codificada.
Ou a fraude em seguros, na qual se verifica se um incêndio resultou de uma ação criminosa, se foi provocado deliberadamente ou se foi apenas o produto de causas naturais. É possível inferir um projetista inteligente que provocou o incêndio. Ou acusações de plágio: é apenas um acidente alguém reproduzir, palavra por palavra, o texto de outra pessoa, ou isso deve ser atribuído ao design inteligente? Ou a arqueologia, quando os arqueólogos conseguem inferir que certos objetos que descobrem são, de fato, artefatos humanos, como pontas de flechas e fragmentos de cerâmica, em vez de produtos de metamorfismo e sedimentação.
Assim, o teórico do design inteligente dirá: não estamos de modo algum postulando um Deus das lacunas. Primeiro, nem estamos postulando Deus, para começar, mas apenas algum tipo de projetista inteligente. Mas, em segundo lugar, diriam que estamos fazendo uma inferência fundamentada de design inteligente, e não simplesmente recorrendo à ignorância. Não estamos usando design apenas para preencher as lacunas de nosso conhecimento, assim como um criptógrafo, um pesquisador do SETI que tenta encontrar sinais de vida inteligente no espaço ou um investigador de fraudes em seguros não está postulando design simplesmente para preencher as lacunas de nosso conhecimento. Portanto, essa é uma questão muito debatida entre os teóricos do design inteligente.
Felizmente, não precisamos resolvê-la nesta aula, pois, como digo, não estamos adotando uma perspectiva científica. Penso que a tese distintiva desses teóricos do design inteligente é que querem argumentar que a inferência de design inteligente é uma inferência científica. Para eles, não é uma inferência filosófica. Eu, como filósofo, estou plenamente disposto a fazer inferências filosóficas desse tipo, mas eles querem dizer que o cientista pode inferir design inteligente e que, portanto, não está sujeito a esse tipo de naturalismo metodológico. Mas, como digo, não estamos abordando essas questões como cientistas nesta aula. Sou teólogo, um teólogo sistemático, e o que pergunto é: considerando as diferentes fontes de conhecimento que temos como cristãos (ciências físicas, biologia, literatura, psicologia, revelação divina), como integramos tudo isso em uma cosmovisão coerente e sinóptica, que leve adequadamente em conta todas essas diferentes fontes de conhecimento?
Sim, Brad?
Aluno: Estou muito animado com esta próxima parte que você vai abordar. E sempre pensei que aqueles que não têm qualquer crença em Deus precisam ter uma explicação. Assim, procuram desesperadamente algo que possa ter causado essas coisas sem Deus. E não estão tentando encontrar a melhor explicação: precisam de alguma explicação, e, portanto, vou dizer que a macroevolução realmente aconteceu, embora não exista absolutamente nenhuma prova de que tenha acontecido. Por isso, estou muito interessado, muito mesmo, nesta discussão.
Dr. Craig: E observem do que ele está falando aqui. Não é do naturalismo metodológico, mas do naturalismo metafísico: aqueles que são ateus, que não acreditam que exista algo além do espaço-tempo e de seu conteúdo. E penso, como você diz corretamente, que, para eles, essa é a única opção disponível. Tem de ser verdade, pois não existe nenhum tipo de alternativa sobrenatural. Vocês vão se lembrar de que, na semana passada, citei o biólogo naturalista Richard Lewontin, quando diz que, por mais absurdos que sejam os cenários, sejam quais forem as evidências, temos um compromisso a priori com o materialismo e, portanto, isso tem de ser verdade.
E penso que não estamos sujeitos a isso. Certamente não metafisicamente, e penso que vale perguntar: estamos sequer sujeitos a isso metodologicamente? Mas, em última análise, não precisamos decidir essa questão metodológica, pois não estamos abordando isso pela disciplina da ciência.
Ciências históricas e inferência
Aluno: Mais uma pergunta. A ciência é: postulo isso e testo. Há evidências? É repetível? E tudo isso. Quando olhamos para trás, ao longo do tempo, na verdade, há um tipo diferente de ciência. É a ciência forense, na qual postulo o que pode ter causado isso. Não é ciência de verdade... Não quero que isso soe assim, mas não é: faço isso, tenho uma hipótese, testo, é repetível, nunca é refutada. Não há como refutar muitos dos postulados sobre como o mundo foi criado e como os animais... Dizemos: bem, deve ter passado deste animal para este outro; vejam os ossos.
Certo, então me mostre hoje. Mostre alguma evidência de como isso realmente aconteceu na macroevolução.
Dr. Craig: Não estou de modo algum disposto a descartar as ciências históricas como pseudociência, Brad. Há diversas ciências, como a cosmogonia, que estuda a história do universo, a paleontologia, a geologia, a arqueologia. Há ciências históricas que não estudam apenas o presente, o aqui e agora, mas também tentam estudar o passado. E você tem toda a razão. Essas ciências se baseiam na postulação de certas hipóteses para explicar os dados observáveis, como evidências fósseis, por exemplo. Seria, penso que você concordaria, absurdo dizer que esses não são os restos de animais que realmente viveram, que talvez Deus os tenha colocado nos sedimentos para nos enganar.
Algo desse tipo. Penso que qualquer pessoa razoável diria que esses são vestígios de formas de vida que existiram e que já não existem. E, portanto, será preciso explicar isso: como surgiram, por que morreram, como se originaram, e assim por diante. E imediatamente você está envolvido em uma ciência histórica. Agora, quanto à possibilidade de refutação, alguém, penso, disse corretamente que essas teorias podem ser refutadas. Se você encontrasse, por exemplo, um coelho nas rochas pré-cambrianas, isso seria uma refutação decisiva da teoria científica da evolução. Portanto, penso que ela é refutável, mas isso não significa que seja a melhor explicação das evidências.
Precisaremos examinar isso mais adiante.
Aluno: Certo. Estou ansioso por isso.
Dr. Craig: Certo. Bruce.
Aluno: Olá. Eu diria, em defesa do design inteligente e do teísmo, que essa é uma explicação melhor para o que sabemos, e não para o que não sabemos. Portanto, diria que o ônus do naturalista metodológico é a evolução das lacunas, e não o Deus das lacunas.
Dr. Craig: Penso que você está destacando um ponto pertinente. Dembski, Stephen Meyer e outros disseram: não estamos inferindo design inteligente com base na ignorância. É com base no que sabemos sobre a estrutura complexa das proteínas, por exemplo, sobre a natureza da complexidade biológica, que uma inferência de design inteligente se justifica. Agora, isso certamente é discutível. Mas penso que é superficial demais responder aos teóricos do design inteligente apenas dizendo: bem, isso é raciocínio do Deus das lacunas. Isso é fácil demais. Sim.
Aluno: Uma pergunta. Tenho lido os trabalhos do Dr. Bart Ehrman como historiador naturalista. Você diria que ele acaba usando o naturalismo metodológico em favor de seus ideais naturalistas?
Dr. Craig: Sim. Agora, como você percebeu muito perspicazmente, esse mesmo naturalismo metodológico rege a investigação histórica de muitos historiadores e até de estudiosos da Bíblia. E, se você adota uma espécie de naturalismo metodológico na história, segundo o qual apenas eventos naturais podem explicar os fenômenos, isso significa imediatamente que o historiador nunca poderia estar justificado ao inferir milagres. Sejam quais forem as evidências, nunca se poderia inferir que ocorreu um milagre. Assim, quando Ehrman examina as evidências da ressurreição de Jesus, em suas aulas da Teaching Company, ele admite e até argumenta em favor da historicidade da descoberta do túmulo vazio de Jesus e de seu sepultamento por José de Arimateia.
Ele concorda com as aparições de Jesus após a morte a diversos indivíduos e grupos. E concorda que os primeiros discípulos passaram, repentina e sinceramente, a acreditar que Deus havia ressuscitado Jesus dentre os mortos. Mas ele disse: não podemos inferir que Deus fez isso. Esse tipo de inferência não é algo que o historiador, enquanto historiador, possa fazer. E, portanto, ele diz: simplesmente permaneço agnóstico sobre isso. Assim, essa seria uma ilustração perfeita de como, em outro campo, você tem esse naturalismo metodológico análogo em ação. Jonathan.
Aluno: Então, você disse... Estava falando de inferências fundamentadas, fazendo inferências com base no que sabemos. Mas minha pergunta era: quais você considera as condições necessárias e suficientes para uma inferência fundamentada? Por exemplo, consigo ver, no caso do argumento cosmológico kalam, como se pode inferir Deus, pois as outras explicações não são apenas improváveis: são completamente impossíveis.
Dr. Craig: Sim, esse é um caso um tanto especial.
Aluno: Mas, quanto a isso, estamos lidando mais com uma inferência à melhor explicação.
Dr. Craig: Os teóricos do design inteligente desenvolveram diferentes respostas a essa pergunta. Dembski chama isso de “complexidade especificada”. Seria quando você descobre essa característica de algum evento, a complexidade especificada, e pode saber que ele não se deve nem ao acaso nem à necessidade física e, portanto, uma inferência de design se justifica. E isso será uma combinação da possibilidade de estabelecer a grande complexidade de algum evento, ou sua alta improbabilidade, com um padrão que existe independentemente e ao qual o evento corresponde. Isso se chama complexidade especificada. Agora, em contraste, o bioquímico Michael Behe, que escreveu o best-seller A caixa-preta de Darwin, propõe uma característica diferente dos fenômenos que justificaria uma inferência de design, à qual ele dá o nome de “complexidade irredutível”.
E essa é a complexidade de um sistema composto tal que, se qualquer um dos elementos fosse removido, ele não funcionaria de modo algum. A função seria destruída. Todos os elementos precisam estar presentes e funcionando. Portanto, essa seria uma abordagem diferente. Outra abordagem seria a de Robin Collins, que evita qualquer uma dessas propostas, de complexidade especificada ou irredutível, e argumenta com base em um modelo bayesiano da teoria da probabilidade. Ele diria que a probabilidade, por exemplo, do ajuste fino do universo é muito maior considerando o teísmo e o que sabemos das leis da natureza do que seria considerando apenas as próprias leis da natureza e o não teísmo.
Portanto, a inferência em favor do teísmo se justifica com base na probabilidade. Assim, há uma variedade de abordagens. Mas quero dizer: claramente, essas pessoas, seja qual for sua opinião sobre elas, não estão apenas dizendo: “Ora, não conseguimos explicar isso cientificamente, então Deus deve ter feito isso”. Isso simplesmente não é uma interação honesta com o trabalho delas. Sim, George?
Aluno: Bill, nós que estamos tentando entender isso, incluindo os cientistas, não deveríamos dividir a questão da complexidade biológica na parte da origem e, depois, na parte do desenvolvimento? A parte do desenvolvimento seria, sabe, o desenvolvimento ou progresso baseado, talvez, na descendência comum, no design ou no que for. Mas, quanto à origem, parece-me que, pelo menos, não ouvi falar... Talvez você conheça alguma teoria científica naturalista plausível para explicar a origem da vida. Sei que houve, nos anos 1950, os experimentos de Urey e Miller, que penso terem sido desacreditados.
Dr. Craig: Sim.
Aluno: Então, os cientistas seriam... Eles admitiriam que realmente não há uma explicação naturalista para a origem da vida, da primeira célula? Assim, realmente não há uma opção disponível para explicar a origem da vida.
Dr. Craig: Bem, você está se adiantando a mim, George. Se olhar o esboço, verá que o próximo ponto será sobre a origem da vida. Depois discutiremos o desenvolvimento da complexidade biológica. E penso que veremos que o que você acabou de dizer está, de fato, correto. George antecipou o que eu ia dizer, mas enfim.
Aluno: Só para esclarecer: então, quando um naturalista... Quando um cientista usa o método naturalista...
Dr. Craig: Naturalismo metodológico, certo?
Aluno: Obrigado. Quando se chega à questão da origem do universo ou da origem da vida, eles ficam com explicações tão bizarras, como universos oscilantes que nunca tiveram, de fato, um começo; portanto, não podemos dizer que houve uma causa, pois nunca houve um começo. Ou que um alienígena veio à Terra e foi assim que a vida começou. Parece-me que, quando são encurralados, não têm uma resposta, então apresentam esses tipos realmente bizarros de explicações que não podem... Que não podem ser negadas. Quero dizer, não se pode voltar e provar que foi isso.
Dr. Craig: Penso que você está bastante correto ao dizer que, quando levados ao limite, eles frequentemente recorrem a alternativas desesperadas, que são altamente improváveis. Por exemplo, quanto à cosmologia, você mencionou universos oscilantes, ou a ideia de que a seta do tempo se inverte e segue na direção oposta em algum momento do passado, ou até a revisão das leis da física, como Roger Penrose é obrigado a fazer para que seu modelo de cosmologia cíclica conforme funcione. Assim, alguém pode ser levado a recursos desesperados ou, penso, poderia simplesmente permanecer agnóstico nesse ponto e apenas dizer: não temos uma explicação, mas, dadas as minhas restrições metodológicas, não posso inferir uma explicação sobrenatural.
Simplesmente fico sem explicação. E eu diria que, quanto à ressurreição de Jesus, essa seria a principal resposta. Essas teorias naturalistas da ressurreição, como a morte aparente, a conspiração, e assim por diante, são quase universalmente rejeitadas hoje. Mas estudiosos como Ehrman, Paula Fredriksen, Spong ou outros simplesmente dirão, nesse ponto: quem sabe? Algo aconteceu. Algo incrivelmente poderoso deve ter acontecido para dar origem a esse movimento cristão em meados do primeiro século, mas o que foi não sabemos e não podemos dizer.
Aluno: Eu só queria fazer um comentário. Parece que o público em geral está muito disposto a aceitar que um alienígena trouxe vida à Terra, ou a teoria oscilante, ou a teoria das cordas, em vez de se abrir a uma explicação sobrenatural, embora as evidências pareçam ser mais favoráveis a ela. Já ouvi pessoas dizerem: bem, a vida, houve um alienígena... E elas não têm nenhuma dificuldade em repetir isso, como se tivesse mais credibilidade do que...
Dr. Craig: Bem, penso que você está destacando um ponto, Cindy, que tentei destacar na pergunta da semana em nosso site Reasonable Faith, quanto à ressurreição: postular uma causa sobrenatural para um evento como esse traz consigo todo tipo de implicação para a cosmovisão, que afetará você e como vive, sua vida moral, sua vida espiritual. Todo tipo de implicações e ramificações virá com isso, e muitas pessoas simplesmente não estão dispostas a aceitá-las. E, portanto, como você diz, alternativas desesperadas serão preferidas, como a de que Jesus de Nazaré era um alienígena do espaço sideral e de que a nave o teletransportou, ou algo assim, para fora do túmulo vazio.
Origem da vida e condições necessárias
Muito bem, então vamos passar à questão da origem da vida. O que as evidências indicam sobre a origem da vida? Bem, vocês vão se lembrar de que, em nossa discussão sobre o ajuste fino do universo, em nosso excursus sobre teologia natural, vimos que, para a vida se originar e evoluir em qualquer planeta, em qualquer lugar do cosmos, é preciso que condições iniciais finamente ajustadas estejam presentes no próprio Big Bang, para que isso aconteça. Mas, mesmo dadas essas condições iniciais incompreensivelmente bem ajustadas, ainda não há garantia de que a vida se originará em algum lugar do universo.
Essas condições finamente ajustadas do universo são condições necessárias para a origem da vida, mas não são condições suficientes. Para a vida se originar, outras condições precisam estar presentes na Terra, condições que são astronomicamente improváveis. Agora, como se mencionou há pouco, a maioria de nós provavelmente aprendeu, no ensino médio ou fundamental, que a vida se originou na chamada sopa primordial, por reações químicas ao acaso, talvez alimentadas por descargas de raios. Nos anos 1950, um cientista chamado Stanley Miller conseguiu sintetizar aminoácidos fazendo faíscas elétricas atravessarem gás metano. Agora, é claro: os aminoácidos não são vivos, mas as proteínas são feitas de aminoácidos e as proteínas são encontradas nos seres vivos.
Assim, a esperança era de que, de alguma forma, a origem da vida pudesse ser explicada. Agora, vocês poderiam pensar: bem, espere um pouco, essa é uma extrapolação muito grande. Os aminoácidos constituem proteínas; as proteínas são encontradas nos seres vivos; portanto, a capacidade de sintetizar aminoácidos significava, de alguma forma, que a vida poderia se originar quimicamente. E eu concordaria com vocês. Penso que esse é um salto muito grande. Mas penso que foi isso que a maioria de nós aprendeu na escola. Na sopa primordial, que ou cobria a Terra em seus oceanos, ou talvez estivesse em poças quentes em terra, por meio de descargas de raios e reações químicas, de alguma forma, formou-se a vida primitiva.
Ora, pode ser que Deus tenha estabelecido essas condições naturais, que ele sabia que resultariam na origem da vida. Mas foi assim que ele fez isso? Bem, todos esses antigos cenários da origem química da vida de fato fracassaram, como diz George, e agora são rejeitados pela comunidade científica. Esse fato foi documentado no livro pioneiro de Roger Olsen, Walter Bradley e Charles Thaxton chamado The Mystery of Life's Origin: Reassessing Current Theories. Eles destacam que provavelmente nunca sequer existiu algo como a chamada sopa primordial. Pois os processos naturais de diluição e destruição teriam impedido as reações químicas que supostamente levaram à vida.
Os experimentos de Miller foram realizados em um pequeno ambiente artificial fechado em vidro, no laboratório, onde os processos naturais de destruição e diluição não entrariam em ação. Mas, é claro, nos oceanos primordiais da Terra, esses tipos de processos destrutivos não poderiam ser evitados e, portanto, teriam impedido as reações químicas que supostamente teriam levado à formação da vida. Agora, esse é apenas o primeiro ponto de Bradley, Olsen e Thaxton: os processos naturais destrutivos nos oceanos primordiais teriam impedido essas reações químicas que supostamente levaram à vida, que permitiram a Miller sintetizar seus aminoácidos. Mas eles têm muito mais a dizer sobre isso, e é o que examinaremos na próxima aula.
Oração final
Então, vamos encerrar com uma oração. Nosso Pai, que és a fonte da vida física, mas também da vida espiritual, pedimos que, ao caminharmos nesta semana na plenitude do teu Espírito Santo, nos enchas com tua vida divina e com poder e força para fazer tua vontade e para sermos tuas testemunhas em um mundo perdido e agonizante. Por meio de Cristo, nosso Senhor. Amém.



