Fé Razoável com William Lane Craig

Doutrina de Deus: Atributos de Deus (Parte 15): Conhecimento Médio de Deus

William Lane Craig · Seção 03 / Aula 15 ·

Resumo da equipe Fé Razoável, preparado com auxílio de IA

William Lane Craig apresenta o conhecimento médio de Deus como conhecimento do que criaturas livres fariam em diferentes circunstâncias. Distingue presciência de predestinação e usa Um conto de Natal para explicar condicionais contrafactuais. A aula defende a compatibilidade entre providência divina e liberdade humana, diferencia mundos possíveis de mundos factíveis e discute o mal e a possibilidade de pecar no céu. Craig distingue sua defesa do conhecimento médio de opiniões pessoais sobre questões relacionadas.

Presciência, liberdade e predestinação

Temos falado sobre a onisciência divina. Deus ser onisciente. E na última aula, levantamos um problema que é ocasionado pelo conhecimento de Deus sobre o futuro. Se Deus sabe de antemão tudo o que acontece, incluindo nossas escolhas, então somos realmente livres para fazer diferente do que Deus sabe que faremos? Em outras palavras, a presciência de Deus implica uma espécie de fatalismo teológico sobre o futuro em que tudo o que acontece acontece necessariamente? E eu argumentei que essa conclusão não se segue enquanto mantivermos clara a distinção entre a prioridade cronológica do conhecimento de Deus do evento conhecido de antemão, e a prioridade lógica ou explicativa do evento conhecido de antemão em relação ao conhecimento de Deus.

O conhecimento de Deus não determina o evento. Se usarmos a linguagem de "determinar", diríamos que o evento determina o que Deus sabe de antemão. Então, quando a traição de Judas foi predita por Jesus, Judas teve a habilidade de não trair Jesus. Ele não precisava traí-lo. Mas se ele tivesse escolhido não trair Jesus então Deus teria conhecido isso de antemão e Jesus não teria previsto a traição. Portanto, temos a capacidade de fazer diferente do que Deus sabe de antemão que faremos, mas se fizéssemos diferente do que ele sabe de antemão, então Ele saberia outra coisa.

Enquanto mantivermos clara essa distinção entre prioridade cronológica e lógica, acho que podemos ver que a presciência de Deus do futuro não ameaça de forma alguma a liberdade humana. Nós, terminamos a última aula no meio de uma discussão sobre isso, então antes de passarmos para o próximo assunto deixe-me perguntar se há mais algum comentário que alguém gostaria de fazer sobre a presciência e liberdade. Cindy. - Só para esclarecer, eu entendo perfeitamente o que o senhor está dizendo, pois em cada momento temos a liberdade de tomar decisões por nossa própria vontade. Quando você considera que antes do tempo, Deus criou este mundo e aqueles que Ele predeterminou ou preordenou que seriam seu povo no fim dos tempos...

basicamente, estamos falando disso. Quando o senhor nasce e Ele te coloca em uma determinada situação sabendo que as situações em que Ele te coloca determinariam suas decisões e, portanto, no final estava predeterminado que o senhor seria salvo ou não. Nesse sentido, parece que antes mesmo do senhor nascer já estava trabalhando uma peça. Quero dizer que Ele sabia... Eu não estou sugerindo que isso não seja livre-arbítrio no decorrer do tempo. Mas sua graça em sua predeterminação... sua providência, preparam o terreno para que o senhor tome essas decisões e venha até ele, e alguns não virão.

Eu acho que é aí que as pessoas ficam confusas, porque parece que sim... sim, o senhor tem livre arbítrio, mas Ele fez o senhor ser dele e Ele fez essa outra pessoa não ser Dele e Ele sabia antes da criação como isso iria acontecer. Eu acho que se tivéssemos um livre arbítrio total no sentido de que determinamos nosso destino, isso nos coloca acima de Deus a medida que temos essa escolha completa. Mas é a graça de Deus e Deus que determina nosso destino final. - Okay. Você trouxe muitas questões! E eu acho que você lidou com vários problemas juntos que precisam ser separados e esclarecidos.

Precisamos fazer distinções claras. Antes de tudo, precisamos distinguir a presciência de Deus do futuro, que é o assunto de nossa discussão presente, e a preordenação de Deus do futuro, predestinação é outra palavra para preordenação. E a questão da providência e eleição divina, de determinar seu destino eterno, se o céu ou o inferno, é uma questão de preordenação, não de presciência. E nós abordaremos essas questões quando chegarmos à doutrina da salvação, nela vamos discutir o assunto da predestinação. Lá você verá que considero a predestinação como sendo principalmente algo corporativo, não individual.

Ou seja, Deus predestina um povo ou seleciona um povo para si mesmo. E então depende de você, por sua livre escolha, se você deseja se identificar com esse grupo corporativo e ser um membro desse corpo eleito. Com base nisso, a preordenação e a liberdade são inteiramente compatíveis. Mas isso precisa ser desenvolvido, e discutiremos isso mais tarde. Agora vamos falar só sobre a presciência. O que você disse na verdade forma uma boa transição para o próximo tema, porque o que você estava perguntando não era: "Deus sabe de antemão o que as pessoas vão fazer e onde vão parar?", mas você estava perguntando: "Deus sabe o que alguém faria se os colocassem em certas circunstâncias que determinariam como eles escolheriam e onde acabariam?"

Isso não é presciência, isso é conhecimento médio, que é o próximo assunto. Mas, antes de falarmos sobre isso, desejo saber se há mais algum comentário sobre presciência e liberdade. Okay.

Conhecimento médio e providência divina

O próximo assunto que vamos abordar é o que a Cindy mencionou, e esse é o chamado conhecimento médio de Deus ou poderíamos chamar de conhecimento hipotético. Este é o conhecimento de Deus de declarações condicionais subjuntivas, como: "Se você estivesse no lugar de Pilatos, você teria condenado Jesus?" Como você teria agido se estivesse nessa situação? Isso não é presciência porque você nunca esteve nessa situação. Isso é chamado de conhecimento médio, ou conhecimento de condicionais do subjuntivo, conhecimento hipotético. E esse tipo de conhecimento é lindamente ilustrado na história clássica de Charles Dickens, "Um conto de Natal".

Você se lembra no final dessa história, Scrooge é confrontado pelo espírito do Natal que ainda viria. Ele tem visões horríveis de sua própria morte e a morte de Tiny Tim, e de pessoas rindo de sua morte. E horrorizado por essas visões, ele exclama ao espírito: "Isso são sombras de coisas que acontecerão ou de coisas que apenas podem acontecer?" E o espírito não responde ao Scrooge. Por quê? Bem, obviamente sabemos pelo final da história que o Espírito não estava mostrando ao Scrooge visões coisas que acontecerão. Sabemos que Tiny Tim não morre.

Sabemos que Scrooge se arrepende e muda, e como resultado, as coisas horríveis que o Espírito lhe mostrou não acontecem de fato. Portanto, não era presciência. Mas o Espírito não estava mostrando a ele meramente coisas que poderiam acontecer, meras possibilidades. Afinal, Scrooge poderia vender seu negócio e se tornar um florista em Covent Garden. Isso é possível. Mas por que se preocupar com esse tipo de eventualidade? O que o Espírito estava mostrando a Scrooge é o que aconteceria se Scrooge não se arrependesse. Ele estava dando a Scrooge conhecimento de condicionais do subjuntivo.

E a pergunta de Scrooge não levou isso em consideração, então o Espírito não respondeu a Scrooge. A questão então é: Deus tem esse tipo de conhecimento? Ele tem conhecimento desses condicionais subjuntivo? E em particular, ele tem esse tipo de conhecimento antes de seu decreto para criar um mundo? Ele tem conhecimento hipotético, lógico ou explicativo antes de decretar um mundo e do que as criaturas desse mundo fariam livremente se estivessem em várias circunstâncias, ou o que essas mesmas criaturas fariam se estivessem em outras circunstâncias, ou o que aconteceria em outro mundo possível em que diferentes criaturas fossem criadas em diferentes circunstâncias.

Deus tem esse tipo de conhecimento lógico ou explicativo antes do seu decreto para criar um mundo? Bem, este é um assunto de considerável controvérsia teológica. Os defensores do conhecimento médio seguem o contra-reformador católico Luis Molina, final do século XVI, início do século XVII, ao sustentar que Deus tem esse tipo de conhecimento. Mas muitos teólogos contemporâneos diriam: "Não, Deus não tem esse tipo de conhecimento." Assim, a pergunta da Cyndi nem poderia ser feita para esses teólogos porque Deus nem saberia o que você faria se Ele fizesse vocês nascerem neste momento da história.

Portanto, Ele não pode ser responsabilizado por seu destino final, porque ele não tem conhecimento médio. Para esses teólogos, Deus de forma alguma é responsável por ter criado um mundo tão confuso como este Ele não esperava que isso acontecesse, por assim dizer! Ele tem uma simples presciência do futuro. Ele sabe de antemão o que vai acontecer, mas não é como se, logicamente antes disso, ele soubesse: se eu criasse essas pessoas nessas circunstâncias, é assim que o mundo se tornaria. Ele teria apenas um presciência simples do que vai acontecer, e não um tipo de conhecimento médio, portanto, não poderia ser responsabilizado pelo mundo estar tão confuso, ou por que há tanto mal, e assim por diante.

Por outro lado, parece-me que existem razões teológicas poderosas para afirmar que Deus tem esse tipo de conhecimento. A Bíblia ensina a soberania e providência divinas sobre toda a história humana. A Bíblia diz que nada acontece simplesmente por acaso, fora do plano e da providência de Deus. Deixe-me pegar minha Bíblia e ler para vocês uma passagem muito interessante do livro de Atos. Está em Atos capítulo 4. A igreja em Jerusalém está reunida em oração, e em Atos capítulo 4 e verso 27 é assim que eles oram: “— Porque de fato, nesta cidade, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, se juntaram contra o teu santo Servo Jesus, a quem ungiste, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram.”

(NAA) De acordo com este versículo, pessoas específicas são nomeadas, o rei Herodes, o procurador Pôncio Pilatos, bem como os gentios e os judeus que estavam lá, Tudo isso se desenrolou de acordo com o plano e a providência de Deus. Deus está acima de tudo o que acontece. Tudo o que acontece o faz pela vontade direta de Deus ou pelo menos sua permissão no caso de ações pecaminosas. Esse tipo de planejamento providencial requer conhecimento médio. Mesmo os oponentes do conhecimento médio reconhecem que você não pode ter uma doutrina robusta da providência e soberania divina juntamente com a liberdade humana sem o conhecimento médio.

Mas, de acordo com o conhecimento médio, Deus sabia o que cada criatura livre faria sob quaisquer circunstâncias em que essa ela fosse ser colocada. Isso inclui circunstâncias que permitem liberdade. Não somos determinados por nossas circunstâncias a fazer o que fazemos. Em certas circunstâncias, temos uma certa liberdade dentro dessas mesmas circunstâncias para agir de maneiras diferentes. Ao criar certas pessoas em certas circunstâncias, Deus pode fazer com que seus fins últimos sejam alcançados através das decisões livres que as pessoas tomam. Agora, quando pensamos sobre nisso, podemos ver que seria inimaginavelmente complexo. Apenas uma mente infinita poderia direcionar um mundo de criaturas livres para seus fins provisionados.

Basta pensar, por exemplo, no que seria necessário para providenciar o sucesso da invasão aliada no Dia "D" sem abusar ou restringir a liberdade das pessoas envolvidas. Você precisaria ter um Winston Churchill em cena. Para que isso acontecesse, o Sr. e a Sra. Churchill (pais) teriam que ter tido relações sexuais em apenas um determinado momento e local para que esse esperma se unisse ao óvulo que eventualmente seria Winston Churchill. Pense nas inúmeras contingências que aconteceram naquele único evento: se a Sra. Churchill torcesse o tornozelo em um torrão no jardim naquele dia e talvez não estivesse com vontade de fazer sexo, e se aquele torrão estivesse lá se devesse ao fato do jardineiro ter feito um trabalho fiel ao capinar e varrer o jardim naquela manhã, mas talvez não tenha feito bem porque estava se sentindo deprimido e não fez seu trabalho com tanta energia.

Isso é apenas uma coisa, apenas Churchill. Pense em todo o resto das pessoas os agentes livres envolvidos e a multiplicidade de circunstâncias tanto do lado aliado quanto do lado do Eixo para projetar tal evento. Sinceramente, apenas uma mente infinita e onisciente poderia empregar seu conhecimento de condicionais subjuntivas para realizar um único evento na história humana. E o conhecimento médio, ao meu ver, fornece a chave para o mistério da soberania divina e da liberdade humana. Ao saber como as criaturas se comportariam livremente em certas circunstâncias e ao colocá-las nessas circunstâncias, Deus pode, em última instância, realizar seus fins sem restringir a liberdade das pessoas, mas permitindo que elas façam o que quiserem, sabendo que, em último caso, apesar de suas liberdades, seus objetivos serão alcançados.

Bem, obviamente, as criaturas (pessoas livres) tomarão muitas decisões ruins que Deus não deseja diretamente. Em qualquer situação moral, Deus sempre deseja que você faça o bem. Ele nunca quer que você peque. O pecado é contrário à vontade de Deus. Assim, Deus sabe que as criaturas muitas vezes não farão o que ele quer diretamente. Em vez disso, elas se rebelarão contra ele. Eles vão pecar. Eles escolherão agir imoralmente. Mas dado seu conhecimento médio, mesmo permitindo que esses pecados e males ocorram, em última análise, neste cenário infinitamente complexo, os propósitos finais de Deus serão cumpridos.

Então, quando você olha para o nosso mundo bagunçado e se pergunta como Deus pode ter criado um mundo tão bagunçado como o nosso com tanto sofrimento e maldade, o proponente do conhecimento médio poderia dizer: "Bem as opções de Deus podem ter sido limitadas." Pode ser que dada a liberdade humana e dado o desejo de Deus de que as criaturas sejam livres, pode ser que elas teriam estragado qualquer mundo de criaturas livres que Deus pudesse ter criado. Talvez, em qualquer mundo que fosse factível para Deus concretizar ou tornar real que envolve tanto bem quanto o mundo real, também teria havido o mesmo sofrimento e o mesmo mal.

Assim, as opções de Deus podem ser significativamente limitadas pela liberdade humana a mundos que envolvem muito sofrimento e mal. Mas Deus deseja, em todas as circunstâncias, que as pessoas façam a coisa certa, mas Ele permitirá que elas pequem se isso for o que elas quiserem fazer. Na visão Molinista, é preciso fazer uma distinção entre mundos possíveis, mundos que são possíveis para Deus concretizar e o que poderíamos chamar de mundos factíveis, realizáveis ​​ou concretizáveis. Por exemplo, um mundo de criaturas livres envolvendo tanto bem que todos sempre fazem a coisa certa, ninguém nunca peca, é um mundo possível.

Isso não seria um mundo de robôs. Este seria um mundo em que todos têm liberdade, e todos sempre fazem a coisa certa. Eles sempre agem de forma moral livremente. Então não haveria pecado nesse mundo. Mas, devido a liberdade humana, pode ser que tal mundo não seja factível para Deus, porque se Deus criasse essas criaturas nessas circunstâncias, mesmo que seja possível que elas façam a coisa certa, elas não o fariam. Elas fariam o errado, e elas iriam bagunçar o mundo. Assim, as opções de mundos factíveis para Deus podem ser limitadas no sofrimento e no mal que deve ser permitido para cumprir sua vontade.

No entanto, como um Deus bom, Ele selecionou em sua providência um mundo que, no balanço, tem mais bem do que mal. Em última análise, sua vontade será cumprida. Vai prevalecer. E seu propósito será alcançado. Haverá uma multidão de pessoas no céu de toda tribo, língua, povo e nação que vieram a conhecer a Deus e sua salvação e entraram livremente em um relacionamento com ele. Podemos estar confiantes de que a escolha de um mundo por Deus é a melhor. Apesar do mal e do sofrimento no mundo, podemos ter confiança em Deus que sua escolha de mundo, foi uma escolha sábia, uma boa escolha.

O ônus de bagunçar o mundo é nosso. Não está em Deus. Somos nós que, por meio de nossas livres escolhas, transformamos o mundo em um lugar tão decadente e maligno. Deus permite isso, mas apenas com o objetivo de cumprir seu bom propósito final. Então, isso seria uma defesa da doutrina do conhecimento médio. Eu acho que é a única maneira de fazer uma reconciliação entre a soberania divina e a liberdade humana que afirma a liberdade libertária, e também a providência de Deus sobre tudo o que acontece no mundo. Isso dá uma motivação teológica poderosa, eu acho, para adotar uma doutrina de conhecimento médio.

Perguntas e respostas

Certo. Alguma pergunta sobre esse assunto? - Minha Pergunta é: nessa visão, este é o melhor mundo factível? - Muito boa pergunta. A questão é... com certeza este não é o melhor mundo possível, certo? Porque podemos imaginar mundos melhores que este. Mundos sem pecado, por exemplo, podem ser melhores. Este não é o melhor mundo possível. Mas este é o melhor mundo factível? Acho que essa é uma questão em aberto. Pode ser que mesmo em relação a mundos factíveis não haja o "melhor". Eles apenas ficam melhores e melhores e melhores. Deus sempre poderia ter criado mais pessoas e trazido mais pessoas para o Reino.

Talvez os mundos não tenham um valor máximo intrínseco. Portanto, o que Deus tem que fazer não é escolher o melhor mundo factível, mas apenas um bom mundo factível. Para qualquer mundo que ele escolher, sempre pode haver um melhor, mas desde que ele escolha um mundo bom, não há nada de errado. É provavel, ao meu ver, que a maioria dos filósofos cristãos de hoje estariam inclinados a dizer que não há limites para a bondade dos mundos. Poderiam continuar aumentando. Mas se você acha que há uma espécie de teto, então acho, que você poderia dizer que há uma série de mundos factíveis que estão todos no nível superior estão todos no teto, digamos e este mundo é um deles e Deus escolheu um mundo factível entre os melhores que poderiam ser feitos.

Eu não vejo nenhum problema nisso. Dada a liberdade humana, pode ser que qualquer mundo factível para Deus envolvendo o mesmo bem, envolveria muito mal e sofrimento. Portanto, este pode ser o melhor que Deus poderia fazer. - Então, parece que na Bíblia existem outros mundos em vista, como o estado eterno, e o milênio, se você acredita nele, etc. E isso implica em um mundo sem pecado. Todos nós somos robôs no estado eterno onde não pecamos isso é um mundo robótico? - Esta é uma boa pergunta, mas eu acho que ela não avalia que quando estamos falando de mundos, queremos dizer um estado máximo de coisas.

A vida após a morte céu, inferno, o milênio, não são mundos possíveis. Eles são o estágio final de um mundo possível. Mas eles têm uma pré-história que leva até eles. No céu, a pessoa recebe um prêmio ou recompensa pelo que fez durante a história humana. Estes são os estágios finais de um mundo possível. Eles não são mundos possíveis em si mesmos. Agora, você pode dizer, mas por que não criar apenas o céu. Simplesmente retira a parte antes da morte e comece com o céu. Bem, o problema é que você teria um novo mundo possível e poderia ser que, se Deus tentasse fazer isso, então as criaturas de lá iriam errar e estragariam tudo.

Você não pode simplesmente extrair as partes ruins e pensar que a situação não é afetada. Ao fazer isso, você tem uma situação totalmente nova e o processo precisa ser repetido. Ao meu ver, Brad, e esta é apenas minha opinião, é que no céu, eu suspeito... ou eu acho bem plausível que a liberdade de pecar seja removida. Acho que nesta vida Deus nos criou com um tipo de "um palmo de distância" que nos permite a liberdade de nos rebelarmos contra ele, fazer o mal e resistir a ele. Mas no céu os redimidos em Cristo terão tal conhecimento de Deus e de proximidade com Cristo que não poderão resistir a sua beleza, magnificência e amor, e a liberdade de pecar será efetivamente removida.

O pecado só é possível durante esse tempo de tomada de decisão no qual vemos através de um vidro escuro, digamos. Aqui determinamos nosso destino eterno. Mas então, uma vez que o virmos face a face, essa visão será tão amável e tão irresistível que o pecado será impossível no céu. - Podemos ver o conhecimento médio como Deus lidando com a inclinação humana para a inércia? Se você está indeciso, você define seu curso de uma certa maneira, a menos que haja uma força externa, ela continuará dessa maneira. No início, quando Adão e Eva decidiram se apoiar em seus próprios entendimentos e definir o bem e o mal de acordo com seu próprio entendimento, Deus pode projetar o resultado desse impulso para a destruição.

Então Ele intervém. Assim, Jesus diz que “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” (NAA), e esse trabalho é apenas para combater esse tipo de impulso humano. Então, dizendo que Deus tem perfeito conhecimento médio, Ele pode projetar exatamente uma pequena inclinação que eventualmente virá. - Bem, não é assim que alguém como Molina explicaria o conhecimento médio. Ele simplesmente diria que Deus vê a essência individual de cada criatura tão profundamente que ele sabe o que essa criatura faria livremente em qualquer conjunto de circunstâncias, incluindo um conjunto inicial de circunstâncias antes que qualquer pessoa que fosse criada pudesse influenciar decisões subsequentes.

Mas como um fato sociológico, o que você está dizendo é obviamente verdade, não é? As pessoas desenvolvem características, padrões de hábitos e inclinações que as influenciarão no futuro, tanto para o bem quanto para o mal. Você também pode desenvolver um bom caráter que o ajudará a resistir à tentação ou a fazer a coisa certa. Eu não acho que isso seja incompatível com a liberdade humana, porque mesmo a pessoa que é moralmente corrupta ainda pode escolher, digamos, que tipo de drogas ela quer usar ou em quem quer bater e roubar. Pode-se escolher uma variedade de pecados, mas certamente você está certa de que, dada a natureza humana decaída e corrompida, há esse tipo de inércia ao pecado dentro da humanidade decaída.

Mas resisto um pouco a essas analogias porque não quero, de forma alguma, sugerir que essas decisões não são livres e que não somos moralmente responsáveis por elas. Não somos como rolamentos de esferas rolando por uma calha, que não têm liberdade nem vontade e, portanto, não são responsáveis pelo que atingem e colidem. - No que diz respeito aos grupos de criaturas mantendo sua perfeição, temos dois. Há anjos e humanos. Estou inclinado a acreditar que qualquer criatura com livre-arbítrio absoluto, dada uma quantidade infinita de tempo, irá contra a vontade de Deus, irá desobedecer a vontade de Deus em algum momento e, portanto, cair.

Então, em minha mente, é difícil para mim imaginar qualquer criatura com total livre arbítrio permanecendo totalmente dentro da vontade de Deus. - Essa é uma questão muito, muito interessante. eu não diria que o pecado é inevitável. Que as criaturas não poderiam evitá-lo porque elas têm liberdade. Mas eu acho que o que você poderia dizer é que dado tempo suficiente, toda criatura eventualmente pecará. Ela não vai continuar para sempre escolhendo livremente a coisa certa. Mas isso não quer dizer que isso seja inevitável, mas apenas que em algum momento acontecerá. Ela acabará pecando.

Isso não me parece nada implausível e seria compatível com a liberdade humana. Esse é um motivo que me faz achar que no céu, é possível que quando virmos Deus em toda a sua beleza e justiça, nossa liberdade para pecar seja efetivamente removida. Não é que no céu vamos para sempre escolher sempre o bem. É que a nossa capacidade de escolher contra Deus é removida da mesma forma que as limalhas de ferro atraídas por um eletroímã gigante simplesmente grudam no ímã porque ele é muito atraente. Eles não podem resistir. Estou certo de que Deus, uma vez que o vejamos face a face e não através de um espelho escuro, será tão atraente que a liberdade para se rebelar contra ele, voltar-se contra ele será removida.

Bem, deixe-me encerrar por aqui, porque estamos sem tempo. Da próxima vez, veremos alguma aplicação prática da doutrina da onisciência divina em nossas vidas. Mas poderemos ter qualquer discussão adicional também. deixe-me encerrar com uma bênção de 2 Tessalonicenses. Vamos orar. Que o Senhor conduza o coração de vocês ao amor de Deus e à perseverança de Cristo. Amém.

Aula de William Lane Craig. Publicação original: Reasonable Faith. © 2015 William Lane Craig. Tradução e edição em português: Fé Razoável. Transcrição da versão em português, revisada em 20/10/2026; citações bíblicas conferidas na NAA.