Excurso sobre a Criação da Vida e a Diversidade Biológica (Parte 24): Uso de Adão como Figura Literária pelos Autores do Novo Testamento

William Lane Craig · Seção 09 / Aula 24 ·

Resumo da equipe Fé Razoável, preparado com auxílio de IA

Craig aplica as distinções entre uso ilustrativo e assertórico às referências do Novo Testamento a Adão. Considera diferentes leituras de Mateus, Coríntios e Timóteo e identifica compromisso histórico na genealogia de Lucas e no discurso de Atos 17. A discussão trata da inspiração bíblica e prepara o estudo de 1 Coríntios 15 e Romanos 5.

Recordando as distinções de leitura

Para rever o que dissemos na semana passada, há várias distinções cruciais que precisamos ter em mente ao examinarmos o ensino do Novo Testamento sobre a pessoa de Adão. Vocês se lembrarão de que distinguimos entre o Adão literário das narrativas de Gênesis e o Adão histórico. Distinguimos entre verdade dentro de uma história e verdade pura e simples. E distinguimos entre usar um texto de modo ilustrativo e usá-lo de modo assertórico para ensinar determinada verdade. Precisamos ter essas distinções em mente e, portanto, ser cautelosos ao usar citações do Novo Testamento de passagens do Antigo Testamento, para não cairmos em provas excessivamente fáceis da historicidade do Antigo Testamento.

Precisamos fazer isso porque, de outro modo, acabaremos comprometidos com a existência de Janes e Jambres, por exemplo, ou com a autenticidade de 1 Enoque. Assim, não podemos, por exemplo, simplesmente provar a historicidade de Jonas citando as palavras de Jesus: “Porque assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.” Se Jesus está usando esse texto de modo ilustrativo, então isso não compromete nem ele nem nós com a historicidade de Jonas. Obviamente, isso não significa que Jonas não seja histórico, mas o que estamos advertindo é contra provas excessivamente fáceis de historicidade simplesmente com base em citações neotestamentárias de textos do Antigo Testamento.

Usos ilustrativos nas referências a Adão

Retomando, então, nossa lista de textos que lemos na semana passada a respeito de Adão no Novo Testamento, vemos que alguns deles plausivelmente envolvem um uso ilustrativo das histórias sobre Adão em Gênesis. Mais importante, penso que as próprias declarações de Jesus sobre Adão são plausivelmente ilustrativas. Em Mateus 19:4-6, temos o seguinte: [Jesus] respondeu: “Vocês não leram que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: ‘Por isso o homem deixará o seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne’? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne.

Portanto, que ninguém separe o que Deus ajuntou.” Observem que, nessa passagem, Jesus começa chamando a atenção para a figura literária de Adão: “Vocês não leram...?” é como ele começa. Depois ele cita Gênesis 1:27: “homem e mulher os criou”, e então une essa declaração a Gênesis 2:24: “Por isso, o homem deixa pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” Isso, então, forma a base de seu ensino sobre o divórcio. Jesus está fazendo a exegese da história de Adão e Eva para discernir suas implicações para o casamento e o divórcio.

Ele não está afirmando sua historicidade. Um exemplo claro de uso ilustrativo é 2 Coríntios 11:3. Paulo diz: “Temo que, assim como a serpente, com a sua astúcia, enganou Eva, assim também a mente de vocês seja corrompida e se afaste da simplicidade e pureza devidas a Cristo.” Aqui, o uso da conjunção “assim como” (assim como a serpente fez isso, também no caso de vocês) mostra que Paulo está fazendo uma comparação. Ele usa a história da Queda como uma analogia ilustrativa para a situação perigosa dos cristãos em Corinto. A historicidade da história não é pertinente nem é afirmada.

Outros exemplos são menos claros. Tomem, por exemplo, 1 Timóteo 2:13-14. Paulo diz: “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.” Isso parece uma afirmação de um fato histórico. Mas o versículo poderia ser plausivelmente interpretado de modo ilustrativo. Paulo está descrevendo o que a história diz; ele fundamenta seu ensino sobre a autoridade de ensino das mulheres (ou a ausência dela) na igreja em sua exegese da história da criação e da transgressão de Eva em Gênesis. De modo semelhante, sua declaração em 1 Coríntios 11:8-9, “Porque o homem não foi feito da mulher, mas a mulher foi feita do homem.

Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, e sim a mulher por causa do homem”, soa assertórica e talvez seja. Mas ela poderia plausivelmente ser entendida como puramente literária. Paulo está aqui resumindo o que a história diz, como Eva foi criada para ser auxiliadora de Adão, e fundamentando seu ensino em sua exegese dessa história. Assim, penso que vários desses textos podem ser interpretados de modo ilustrativo.

Genealogia e origem comum da humanidade

Em contraste, a genealogia de Jesus encontrada em Lucas 3, que termina em Adão, filho de Deus, claramente pretende ser assertórica, assim como as genealogias da história primeva no livro de Gênesis demonstram interesse histórico por pessoas que realmente viveram. Na verdade, Lucas não acrescenta nada ao nosso conhecimento de Adão que já não tenhamos adquirido em nosso estudo de Gênesis. De modo semelhante, a declaração de Paulo diante do Areópago, em Atos 17:26, “De um só homem fez todas as nações para habitarem sobre a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação”, parece ser assertórica por natureza.

Ela descreve o avanço histórico dos povos por todo o mundo a partir de sua origem histórica comum em Adão. Sem dúvida, a referência ao “um só” nesse versículo é a Adão, não a Noé, como ilustra o contraste que Paulo faz entre Adão e Cristo em 1 Coríntios 15 e Romanos 5. A dualidade é Cristo e Adão, não Cristo e Noé. O ensino de Paulo, portanto, compromete qualquer pessoa que siga o ensino apostólico com um Adão histórico. Além disso, observem que Adão é aqui concebido, como em Gênesis, como o progenitor de toda a raça humana sobre toda a face da Terra, onde quer e quando quer que as pessoas tenham vivido, e não apenas como parte de um casal selecionado de uma massa maior da humanidade para cumprir o chamado de Deus.

Alguma pergunta ou comentário sobre algum desses textos?

Discussão sobre ilustração e inspiração

Aluno: Quando um texto é usado de modo ilustrativo e assertórico, essas coisas são mutuamente excludentes ou é possível que ele tenha as duas formas?

Dr. Craig: Não acho que sejam excludentes, não. Mas, se ele é usado de modo ilustrativo, meu ponto é que não podemos simplesmente presumir que está sendo afirmado como fato, como mostram os muitos exemplos que vimos no próprio Novo Testamento, como Janes e Jambres, o poço que acompanhou Israel durante seus quarenta anos de peregrinação pelo deserto e outros exemplos que examinamos na semana passada. Assim, seria necessário examinar o contexto para discernir se isso não é meramente ilustrativo. E lembrem-se também da distinção que fizemos entre acreditar em algo e afirmá-lo. Pode muito bem ser que o autor acreditasse nisso, mas ele não está afirmando isso — não está ensinando isso.

Por exemplo, eu não teria problema algum em pensar que os autores do Novo Testamento acreditavam que o Sol gira em torno da Terra, que acreditavam no geocentrismo. Mas eles não ensinam isso. Portanto, nosso interesse não é simplesmente no que eles acreditavam, mas no que de fato ensinaram ou afirmaram. E, quando um texto é usado de modo ilustrativo, não podemos simplesmente presumir que ele também esteja sendo usado para afirmar ou ensinar determinado fato.

Aluno: Separar essas duas declarações parece injusto, porque, como dizemos... bem, as declarações assertóricas se baseiam em declarações ilustrativas. O senhor acha... se não forem, então não são verdade.

Dr. Craig: Não tenho certeza se entendi a pergunta. Pode reformulá-la?

Aluno: Sim. Uma expressão assertórica precisa ter uma base ilustrativa; caso contrário, não é verdade. Então, se estamos falando da verdade, quer falem assertoricamente ou ilustrativamente... ...

Dr. Craig: Certo. Deixe-me tentar distinguir essas coisas com mais clareza. É perfeitamente possível afirmar algo sem usá-lo de modo ilustrativo. Quando você diz: “Estarei em casa esta tarde se você quiser telefonar” — isso não é ilustração de coisa alguma. É uma simples afirmação. É possível usar algo de modo ilustrativo sem afirmá-lo. Por exemplo, você pode dizer: “Assim como Robinson Crusoé tinha seu Sexta-Feira para ajudá-lo em seu trabalho, também tenho alguém que me ajuda em meu trabalho.” Isso seria ilustrativo, e não assertórico. Por outro lado, você poderia usar um texto das duas maneiras. Você poderia escolher algo que seja um fato genuíno e afirmar esse fato, além de usá-lo como ilustração.

Talvez seja isso que Paulo esteja fazendo nessas passagens de 1 Timóteo, em que ele diz: “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.” Isso poderia ser tanto uma ilustração quanto uma afirmação de fato. Mas estou apenas nos alertando para o fato de que não devemos presumir com demasiada facilidade que aquilo que está sendo usado para ilustrar um ponto esteja sendo afirmado.

Aluno: Ainda não entendo como alguém — uma pessoa, um mortal — pode afirmar algo que não tem fundamento. Como um mortal pode afirmar algo que não tem fundamento?

Dr. Craig: Fazemos afirmações falsas o tempo todo. Certo? Afirmar algo é declará-lo, apresentá-lo como verdadeiro. Mas, obviamente, não somos infalíveis, portanto podemos fazer afirmações falsas. Agora, não cremos que as Escrituras façam afirmações falsas, porque cremos que são inspiradas por Deus. Portanto, tudo o que as Escrituras afirmam é verdadeiro.

Aluno: Isso mesmo.

Dr. Craig: Sim. Mas precisamos ter muito cuidado com isso, ou vocês acabarão comprometidos com a autenticidade de 1 Enoque ou com a existência de Janes e Jambres ou com essas outras ilustrações do Novo Testamento tiradas da mitologia e do folclore judaico. E ninguém quer ficar comprometido com isso.

Aluno: Mas a Bíblia não... de algum modo, tenho dificuldade em separar as duas coisas.

Dr. Craig: Bem, isso não é uma posição idiossincrática...

Aluno: Se Deus inspirou as Escrituras, então todas as afirmações deveriam ser inspiradas por Deus. Portanto, não há inverdade nas Escrituras. Logo, todas as afirmações deveriam ter uma base ilustrativa. A linguagem é a limitação. Podemos ilustrar algo de maneira incompleta e então derivar uma afirmação daí, mas existe algum tipo de espírito — quero dizer, o Espírito Santo — que inspira, portanto tem de ser verdade.

Dr. Craig: Se você quer dizer que usar um texto de modo ilustrativo é comprometer-se com a verdade desse texto, então você terá sérias dificuldades ao lidar com os textos de que falamos na semana passada, nos quais esses autores do Novo Testamento se referem a pessoas e acontecimentos do folclore e da mitologia judaicos com os quais ninguém quer se comprometer. Assim, quando teólogos ou estudiosos bíblicos falam da doutrina da inspiração e da inerrância, a doutrina é que tudo o que as Escrituras ensinam é verdadeiro, ou tudo o que as Escrituras afirmam é verdadeiro, mas eles diriam, como eu digo, que, quando o texto afirma que, do mesmo modo que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também esses falsos mestres são homens de fé corrompida, isso não afirma a existência de Janes e Jambres.

São homens que têm a mente totalmente corrompida, reprovados quanto à fé.” Isso não afirma a existência de Janes e Jambres. É apenas uma ilustração, como quando digo: “A adoção dessa proposta será um verdadeiro cavalo de Troia para a nossa causa”, e eu não estou, com isso, comprometendo-me com a realidade do cavalo de Troia.

Aluno: Mas também não podemos negar isso, como no caso da jumenta que falou. Não podemos negar que houve algum tipo de comunicação entre Balaão e a jumenta. Se foi audível ou não, nós não...

Dr. Craig: Simplesmente não vejo isso como relevante. O que estamos discutindo aqui é o uso que os autores do Novo Testamento fazem de outra literatura. E você tem razão. Em Judas, por exemplo, Judas dá várias ilustrações de falsos mestres. Mencionei apenas algumas delas. Mas ele menciona Balaão e diz que esses falsos mestres caíram no erro de Balaão. O que estou sugerindo é que você não pode usar isso como uma prova excessivamente fácil da historicidade de Balaão, porque Judas cita várias ilustrações, algumas do Antigo Testamento, mas também algumas dos pseudepígrafos e de outros folclores judaicos apócrifos. Portanto, você não pode dizer: “Este é histórico e isso é uma prova disso, mas aquele não é histórico e isso não prova nada.” Isso seria usar dois pesos e duas medidas.

E, se você concorda comigo que não queremos nos comprometer com coisas como a autenticidade de 1 Enoque, então é melhor dizer que, embora Judas use Balaão como uma ilustração de falsa religião, isso não é uma prova de que Balaão tenha sido um incidente histórico.

Aluno: Entendo a prova do que o senhor está dizendo. Talvez não seja possível tomar algo ilustrativo — se for tomado assim. Mas seu exemplo de Lucas — Lucas sendo o médico, Lucas sendo aquele que diz: “Estou lhes apresentando tudo em ordem, exatamente como aconteceu”; então ele apresenta a genealogia e diz que Mateus era filho de Eli[1], e então, é claro, no grego, “filho de Mateus, de Eli” é expresso exatamente como Sete sendo de Adão — não há diferenciação. Ele não está dando um exemplo; está apresentando um registro histórico.

Dr. Craig: Bem, deixe-me interrompê-lo antes que você se desvie do assunto. Talvez tenha me entendido mal. O que eu disse aqui na aula foi que, em contraste, a genealogia de Lucas 3 pretende ser assertórica, assim como as genealogias da história primeva têm interesse histórico. Portanto, estou concordando com você. Quando temos a genealogia em Lucas que termina em Adão, isso é muito diferente de um uso ilustrativo de Adão, como ocorre em alguns desses outros textos. Penso que, em Lucas, há definitivamente um compromisso com uma pessoa histórica.

Aluno: Certo.

Aluno: Se o apóstolo, por exemplo, está tentando estabelecer uma doutrina, se for apenas um uso ilustrativo da citação, isso não diminuiria de algum modo a força do argumento? Se ele não estivesse afirmando que havia um Adão e uma Eva reais, mas, como Spock disse a Kirk, parece que o argumento perde força.

Dr. Craig: Essa é uma questão muito debatida entre os teólogos bíblicos. Quando chegarmos a 1 Coríntios 15 e Romanos 5 — o que faremos no restante desta aula ou na próxima semana — vou argumentar que o argumento apresentado por Paulo depende da existência de uma pessoa histórica real. Mas, nesses outros usos que acabei de apresentar a vocês, não acho que isso seja tão claro. Na verdade, em alguns deles, acho que é apenas ilustrativo. Mas, é claro, essa ilustração é inspirada por Deus. É uma ilustração inspirada por Deus, assim como se Deus me inspirasse a dizer: “Isso é uma caixa de Pandora.” Mas isso não me compromete com a historicidade da caixa de Pandora.

Mas essa ilustração poderia me ser dada por Deus. Poderia ser inspirada. Portanto, a questão será: o argumento de Paulo depende simplesmente da autoridade do texto que ele está usando ou precisa realmente haver uma pessoa histórica por trás dele? Penso que isso ficará mais claro quando chegarmos a 1 Coríntios 15 e Romanos 5.

Aluno: Na versão King James, em Atos, no discurso no Areópago, Paulo diz: “fez de um só sangue”. Provavelmente “um só homem” é mais exato, referindo-se a Adão. Acho que os tradutores sabiam que era ilustrativo e, por isso, estão dizendo: Deus diz que, se retirasse o seu Espírito, toda carne morreria, e assim a vida de todas as pessoas vem de um só sangue. Porque a vida da carne está no sangue. Então eles traduzem “de um só sangue”. Assim, toda a humanidade é a mesma. Ela veio originalmente da vida de Deus.

Dr. Craig: Depende das diferentes variantes gregas desse texto. Penso que o texto mais comumente aceito diz simplesmente “de um só”, embora haja variantes que trazem “sangue”. A verdadeira questão é se isso se refere a Adão ou a Noé. Porque, quando pensamos em Noé e sua família, é verdade que todas as famílias da Terra também descendem dele. Mas penso que o claro contraste entre Adão e Cristo em 1 Coríntios 15 e Romanos 5 mostra que, em Atos 17:26, Paulo não está contrastando Noé. Ele está pensando em tudo como proveniente de Adão.

Aluno: Concordo com o senhor. Na verdade, como o senhor falou outro dia, acho que Deus reenfatizou que fez o homem à sua imagem em Adão. Ele poderia ter tido humanoides, mas então, naquele momento, o coroou, e é por isso que ele é o primeiro Adão e Cristo é o segundo.

Dr. Craig: Falaremos mais sobre isso quando chegarmos a 1 Coríntios e Romanos.

Aluno: Estou apenas pensando em algo que talvez pudesse documentar um uso ilustrativo. Quando Paulo se referiu ao deus desconhecido, seria algo parecido? Porque ele não estava dizendo que esse ídolo era real. Foi o que me veio à mente.

Dr. Craig: Ah! Muito bom. Eu não tinha pensado nisso. Quando Paulo diz aos atenienses que percebe que eles são muito religiosos, que têm até um altar a esse deus desconhecido e que, portanto, aquele que eles adoram sem conhecer é o que ele lhes anuncia. Bem, não acho que Paulo realmente pensasse que estava proclamando o deus desconhecido, e certamente aqueles que dedicaram aquele altar não pensavam que ele fosse dedicado a Cristo. Mas Paulo usa isso de modo brilhante e ilustrativo para proclamar o monoteísmo judaico e Cristo.

Aluno: Parecia ser uma maneira de se relacionar com as pessoas. Então, em certo sentido, é como usar aqueles outros exemplos que não são históricos, usando-os de uma maneira com a qual as pessoas possam se identificar, de modo que ele fala às pessoas a partir de onde elas estão.

Aluno: Outro exemplo de Paulo seria o fato de ele citar os próprios poetas gregos. Eles acreditavam que eram divinamente inspirados, mas isso não significa que Paulo achasse que aqueles textos eram verdadeiros. Não apenas não eram literalmente verdadeiros; tenho certeza de que ele também não achava que fossem inspirados. Mas ele os citou de modo ilustrativo, porque eram coisas em que aquelas pessoas acreditavam, e ele estava tentando mostrar-lhes que as próprias crenças deles deveriam tornar persuasivos os argumentos dele.

Dr. Craig: Sim, no uso de Paulo temos não apenas o emprego de ilustrações do folclore judaico, mas também, como você disse, a citação de autores pagãos. Mas não recorri a esses exemplos porque as citações de Arato e desses outros gregos não comprometem você com, nem sequer mencionam, qualquer tipo de entidade como Janes e Jambres ou o poço que acompanhava Israel pelo deserto e assim por diante. Então simplesmente optei por não usar esses exemplos. Mas certamente é verdade que o Novo Testamento cita não apenas pseudepígrafos e apócrifos judaicos, mas também autores pagãos.

Introdução às próximas passagens e oração

Deixem-me apresentar a próxima seção. A próxima seção será sobre 1 Coríntios 15:21-22, 45-46 e depois Romanos 5:12-21. Eu os incentivaria a ler essas passagens em algum momento durante a semana, em suas devoções, para que estejam preparados para pensar sobre elas na próxima semana. O estudioso do Antigo Testamento John Collins disse que é difícil apresentar um argumento com base nos textos que examinamos nesta manhã em favor da suposição da historicidade de Adão e Eva. Esses textos não dependem de uma pessoa histórica real para a validade do argumento de Paulo. Mas, diz Collins, o caso é diferente quando se trata de 1 Coríntios 15 e Romanos 5, sem mencionar Atos 17:26.

Nessas passagens cruciais de 1 Coríntios e Romanos, Paulo expõe sua cristologia de Adão. Não tentaremos entrar em grande profundidade na teologia dessas passagens, mas o que faremos é restringir nossa atenção ao que essas passagens implicam a respeito do Adão histórico. Esse será o nosso foco. Certo. Vamos encerrar, então, com uma oração. Pai, somos gratos pelo encorajamento mútuo e pelo aperfeiçoamento que resultam da interação em torno dessas questões importantes. E, ao sairmos agora para o mundo, oramos para que nos vivifiques e nos fortaleças por meio do teu Espírito Santo que habita em nós. Ajuda-nos a discernir oportunidades de falar uma palavra em favor de Cristo e de compartilhar o evangelho, e ajuda-nos a levar uma vida agradável aos teus olhos.

Por Cristo, nosso Senhor, oramos. Amém.

Aula de William Lane Craig. Publicação original: Reasonable Faith. © 2019 William Lane Craig. Tradução e edição em português: Fé Razoável. Transcrição conforme a legenda em português do vídeo. Preparação da transcrição: 20/10/2026.