Fé Razoável com William Lane Craig

Doutrina do Espírito Santo (Parte 5): O Batismo no Espírito Santo

William Lane Craig · Seção 06 / Aula 05 ·

Resumo da equipe Fé Razoável, preparado com auxílio de IA

Craig distingue o batismo do Espírito Santo, que ele entende como a entrada do crente no corpo de Cristo, da plenitude do Espírito. Examina passagens de Atos e das cartas de Paulo, responde a uma pergunta e defende que a vida espiritual se evidencia pelo fruto do Espírito, e não pela presença de dons carismáticos.

O batismo do Espírito e a entrada no corpo de Cristo

Hoje queremos observar o batismo e a plenitude do Espírito Santo. Há uma grande confusão nos círculos protestantes a respeito do batismo do Espírito Santo porque certos cristãos pentecostais e carismáticos afirmam que o batismo do Espírito Santo é uma segunda obra da graça na vida do crente que o conduz a uma experiência mais plena e profunda com o Espírito Santo. Eles acreditam que, quando uma pessoa se torna cristã, ela é habitada pelo Espírito, mas não é batizada no Espírito Santo. Para entrar nesse caminhar mais profundo com Deus, é necessário ter uma segunda obra da graça – uma segunda experiência com o Espírito Santo – chamada de batismo do Espírito Santo, frequentemente acompanhada por falar em línguas, que o iniciará nesse caminhar mais profundo no Espírito.

Eu acho que essa visão é completamente errada. Parece-me que as Escrituras são relativamente claras ao afirmar que o batismo do Espírito Santo não é uma segunda obra da graça, mas é uma obra iniciadora do Espírito por meio da qual somos colocados no corpo de Cristo. É através do batismo do Espírito Santo que somos habitados pelo Espírito e feitos membros do corpo de Cristo. 1 Coríntios 12:13 parece deixar isso claro: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.”

Aqui o batismo do Espírito Santo é a experiência universal da igreja, o ato iniciador por meio do qual somos colocados no corpo de Cristo. Os carismáticos normalmente recorrem às histórias no livro de Atos para mostrar que o batismo do Espírito Santo não é um ato iniciador, mas é uma segunda obra da graça. Mas, na verdade, uma análise cuidadosa dessas histórias no livro de Atos revela que em todos os casos trata-se claramente de uma experiência inicial com o Espírito Santo que está sendo descrita, e não de uma segunda experiência. Por exemplo, em Atos 2, você tem a história do Pentecostes em que o dom do Espírito Santo é dado à igreja em Jerusalém e na Judeia.

Este é um batismo inicial no Espírito Santo pelo qual eles deviam esperar. Eles não deviam sair de Jerusalém até receberem esse batismo no Espírito Santo. Depois, em Atos 8, você tem a história de como o Espírito Santo é dado aos crentes samaritanos. Mais uma vez, uma leitura atenta do capítulo 8 indica que eles não tinham o Espírito Santo até serem batizados no Espírito Santo. Depois, em Atos 10 e 11, você tem a história de Cornélio e sua casa, na qual o Espírito Santo agora é dado aos gentios. E, mais uma vez, isso é claramente um ato inicial do Espírito Santo na vida de Cornélio e de sua casa.

Pedro diz que o Espírito Santo caiu sobre eles do mesmo modo que caiu sobre nós no Pentecostes, no princípio. Depois, em Atos 19, você tem essa história muito estranha dos discípulos efésios de João Batista que Paulo encontra e que dizem que nem sequer ouviram falar que havia Espírito Santo. Então Paulo os batiza no Espírito Santo e eles igualmente se tornam cristãos. Assim, embora o batismo do Espírito Santo nesses atos se relacione de forma diferente com o batismo nas águas (às vezes o precedendo; às vezes, na verdade, ocorrendo depois do batismo nas águas), mesmo assim é claro que, em todos os casos, as pessoas que experimentam um batismo no Espírito Santo estão vivenciando um ato inicial do Espírito Santo e não algum tipo de ato secundário da graça que as leva a um caminhar mais profundo com Cristo.

Assim, é através do batismo do Espírito Santo que somos colocados no corpo de Cristo, regenerados, nascidos de novo para uma nova vida, e habitados pelo Espírito Santo.

A presença permanente do Espírito

Todo crente tem o Espírito Santo habitando nele. Romanos 8:9-10: “Vocês, porém, não estão na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Se, porém, Cristo está em vocês, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida, por causa da justiça.” Portanto, é a presença do Espírito Santo que faz a diferença entre uma pessoa ser cristã ou não ser cristã. É a presença do Espírito Santo que torna uma pessoa um membro do corpo de Cristo e um cristão.

Também em 1 Coríntios 3:16, Paulo diz: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” O Espírito Santo é a posse permanente de todo crente. É ele quem nos regenera – quem nos torna cristãos. Qualquer um que não tem o Espírito Santo não pertence a ele e não é um cristão.

Discussão: batismo e plenitude

Aluno: Eu não estou dizendo que algo que o senhor disse está errado, só estou dizendo que provavelmente há um pouco mais do que isso. Há algumas coisas na minha mente que não estão claras, como qual é a diferença entre ser cristão e sua caminhada sendo cheio? O que é santificação se não é mais do que batismo? Além disso, lembre-se de que, do outro lado disso, toda a nação de Israel foi batizada no Espírito quando passaram pela nuvem saindo do Egito. Isso é Cristo também. Além disso, e Filipe? Quando eles creram, estavam dizendo que na verdade não tinham esperança e arrependimento, e eles tinham que descer e batizar novamente.

Há mais do que isso. Estou dizendo que a posição extrema pentecostal está errada; estou dizendo que não podemos ser muito simplistas – há mais nisso.

Dr. Craig: Isso forma uma boa introdução para meu próximo ponto, que será sobre a plenitude do Espírito Santo. Embora neste caso peculiar com os samaritanos, pareceu que lá eles precisavam da ratificação dos apóstolos de Jerusalém para receber o Espírito Santo, e ainda não o tinham recebido até que eles descessem e impusessem as mãos sobre eles.

Cristãos espirituais e carnais

Embora todo cristão seja batizado e habitado pelo Espírito Santo, nem todo cristão é cheio do Espírito Santo. Há uma diferença significativa entre ser habitado pelo Espírito Santo e ser cheio do Espírito Santo. Veja 1 Coríntios 2:14–3:3. Paulo diz: “a pessoa natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura. E ela não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém a pessoa espiritual julga todas as coisas, mas ela não é julgada por ninguém. Pois quem conheceu a mente do Senhor, para que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo. Eu, porém, irmãos, não pude falar a vocês como a pessoas espirituais, e sim como a pessoas carnais, como a crianças em Cristo.

Eu lhes dei leite para beber; não pude alimentá-los com comida sólida, porque vocês ainda não podiam suportar. Nem ainda agora podem, porque vocês ainda são carnais. Porque, se há ciúmes e brigas entre vocês, será que isso não mostra que são carnais e andam segundo os padrões humanos?” Então também em 1 Coríntios 3:11–15. Paulo diz: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. E, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um se tornará manifesta, pois o Dia a demonstrará. Porque será revelada pelo fogo, e o fogo provará qual é a obra de cada um.

Se aquilo que alguém edificou sobre o fundamento permanecer, esse receberá recompensa. Se a obra de alguém se queimar, esse sofrerá dano. Porém ele mesmo será salvo, mas como que através do fogo.” Aqui Paulo parece descrever pessoas que são cristãs mas que ainda são dominadas pela carne, isto é, pela natureza humana caída. Ele os chama de carnais ou homens da carne. Ele diz que suas obras não são como ouro e prata e pedras preciosas que resistirão à prova, mas são como madeira, feno e palha que serão queimados e destruídos, embora eles mesmos sejam salvos. O que Paulo parece contemplar aqui seriam três tipos diferentes de pessoas.

Há o homem natural, que é o homem não regenerado. Ele não tem o Espírito de Deus. Ele vive no poder da carne – a natureza humana caída. Depois há o homem espiritual. Este é o cristão regenerado que vive no poder do Espírito Santo. E então há este homem carnal, ou homem da carne, que é regenerado (ele tem o Espírito de Deus) mas ainda vive no poder da carne – a natureza humana caída – e por isso é imaturo e experimenta futilidade.

Dons e fruto do Espírito

Note qual é o sinal ou evidência do homem espiritual. Não são dons carismáticos. A igreja em Corinto exibia todo tipo de dons carismáticos, não é? Falar em línguas, milagres, outros tipos de fenômenos carismáticos. No entanto, é a igreja mais carnal do Novo Testamento. As pessoas estavam se embriagando nas celebrações da comunhão. Um homem estava vivendo em um relacionamento incestuoso com sua mãe.[1] Era cheia de conflitos, ciúmes e espírito faccioso. Portanto, mesmo que os dons carismáticos fossem altamente abundantes e evidentes em Corinto, essa não era uma igreja que estava sob a direção e o poder do Espírito Santo. Portanto, o sinal da pessoa espiritual não são os dons carismáticos.

Antes, é o fruto do Espírito Santo que ocorre na vida da pessoa no lugar das obras da carne. Isso é o que vimos quando olhamos para Gálatas 5:16–25. Paulo diz: “Digo, porém, o seguinte: vivam no Espírito e vocês jamais satisfarão os desejos da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito luta contra a carne, porque são opostos entre si, para que vocês não façam o que querem. Mas, se são guiados pelo Espírito, vocês não estão debaixo da lei. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: imoralidade sexual, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçarias, inimizades, rixas, ciúmes, iras, discórdias, divisões, facções, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas.

Declaro a vocês, como antes já os preveni, que os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” Portanto, a evidência de uma vida cheia do Espírito não são dons carismáticos ou falar em línguas. A evidência de uma vida cheia do Espírito será o fruto do Espírito Santo que é produzido na vida da pessoa em vez das obras da carne.

A plenitude do Espírito e a próxima aula

Infelizmente, como vimos, nem todos os cristãos experimentam a plenitude do Espírito Santo. O que significa ser cheio do Espírito Santo? Acho que isso significa não apenas ser habitado pelo Espírito, mas ser capacitado e controlado pelo Espírito Santo. Se dissermos que alguém está cheio de raiva ou cheio de ciúmes, queremos dizer que essa pessoa está controlada e possuída por essa raiva ou por esse ciúme. Da mesma forma, quando Paulo diz para sermos cheios do Espírito Santo, ele está nos dizendo para sermos controlados e capacitados pelo Espírito Santo para que ele produza em nossas vidas o fruto do Espírito Santo que é descrito em Gálatas.

Quando nos encontrarmos da próxima vez, quero fazer a pergunta: por que tão poucos cristãos parecem ser cheios do Espírito Santo? Por que tantos cristãos parecem viver vidas de derrota, frustração e miséria, e como podemos então ser cheios do Espírito Santo para andarmos na plenitude de seu poder e controle? É isso que queremos ver da próxima vez.

Bênção final

Mas agora, vamos encerrar com uma bênção. E agora, que o Espírito Santo, que habita em nós, encha nossas vidas para fazermos o que é agradável aos seus olhos, e assim produza o bom fruto do Espírito evidente em nossas vidas para que todos vejam Por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Aula de William Lane Craig. Publicação original: Reasonable Faith. © 2016 William Lane Craig. Tradução e edição em português: Fé Razoável. Transcrição da versão em português, revisada em 20/10/2026; citações bíblicas conferidas na NAA.