Fé Razoável com William Lane Craig

Doutrina de Deus: Trindade (Parte 4): O Espírito Santo

William Lane Craig · Seção 05 / Aula 04 ·

Resumo da equipe Fé Razoável, preparado com auxílio de IA

William Lane Craig examina passagens nas quais o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho e é apresentado como Deus. Explica sua relação com o ministério de Cristo e discute objeções sobre linguagem impessoal, personificação e os limites da compreensão humana de Deus. As perguntas finais tratam da encarnação, do Antigo Testamento e da pessoalidade divina.

O Espírito Santo como pessoa distinta

Temos estudado a doutrina da Trindade. Vimos que o Novo Testamento afirma que o Pai é uma pessoa distinta do Espírito e do Filho, e que o Pai é Deus. De fato, quando as Escrituras usam a palavra "Deus" elas normalmente se referem ao Pai. Em segundo lugar, vimos que, da mesma forma, as Escrituras dizem que Jesus Cristo é uma pessoa distinta do Pai e do Espírito, e que Jesus Cristo é Deus não no sentido de que Jesus é o Pai, mas no sentido de que ele é divino. O Novo Testamento normalmente se refere a Jesus pelo nome do Antigo Testamento de Deus – kyrios ou Senhor. Hoje queremos nos voltar para a terceira pessoa da Trindade – o Espírito Santo. Novamente, veremos que o Novo Testamento afirma tanto que o Espírito Santo é uma pessoa distinta do Pai e do Filho, como também que o Espírito Santo é igualmente Deus. Primeiro, o Espírito Santo é uma pessoa distinta.

Lucas 11:13: “Ora, se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai celeste dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!” Aqui o Pai é mencionado como distinto do Espírito Santo. O Espírito Santo é dado pelo Pai àqueles que lhe pedirem. João 14:26: Jesus diz: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse ensinará a vocês todas as coisas e fará com que se lembrem de tudo o que eu lhes disse.” Aqui as três pessoas são distinguidas. Há o Espírito Santo que é dado pelo Pai em nome do Filho. Portanto, as três pessoas são mencionadas nesta única fala como pessoas distintas. Vá para João 15, versículo 26. Um versículo muito interessante. Novamente Jesus está falando: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim.” Novamente as três pessoas são mencionadas. Há o Pai, o Espírito Santo que dará testemunho do Filho – de Jesus.

O que é especialmente interessante sobre este versículo é que João enfatiza a pessoalidade do Espírito Santo usando o pronome masculino para ele mesmo que a palavra "Espírito" (pneuma, em grego) seja neutra. Assim, quando ele diz "o Espírito da verdade que procede do Pai" ele na verdade viola a gramática grega. Em vez de dizer "o Espírito que procede do Pai; ele dará testemunho de mim", ele usa o pronome masculino "ele" - "ele dará testemunho de mim" - a fim de enfatizar que estamos falando aqui de uma pessoa, não de uma coisa. O Espírito Santo é uma pessoa assim como o Pai e o Filho. Romanos 8:26-27. Paulo diz: "Da mesma maneira, também o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza. Porque não sabemos orar como convém, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus." Aqui Paulo descreve o ministério intercessor do Espírito Santo junto ao Pai em nosso favor. Muitas vezes, não sabemos pelo que orar. Temos sabedoria e discernimento limitados. Mas o Espírito Santo intercede junto ao Pai em nosso favor, e o Pai conhece a mente do Espírito e sabe como responder às nossas orações porque o Espírito intercede de acordo com a vontade de Deus. Portanto, aqui temos este ministério muito interessante do Espírito Santo em nosso favor na oração ou intercessão diante do Pai, para que ele converta, por assim dizer, nossas orações em vontade de Deus.

Fórmulas trinitárias e o ministério do Espírito

Mateus 28:19 é um dos famosos versículos trinitários do Novo Testamento onde todas as três pessoas são mencionadas. Jesus lhes diz: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Aqui temos esta fórmula para o batismo onde todas as três pessoas são mencionadas. Convertidos ao cristianismo devem ser batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 2 Coríntios 13:14[1] também menciona todas as três pessoas da Trindade. Uma bênção maravilhosa: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês.” Aqui temos a graça de Cristo, o amor de Deus (isto é, o Pai), e então a comunhão do Espírito Santo. Portanto, todas as três pessoas são mencionadas nesta bênção assim como são na fórmula batismal. Finalmente, 1 Pedro 1:1-2 também menciona todas as três pessoas trinitárias.

“Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são forasteiros da Diáspora no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na Ásia e na Bitínia, eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo. Que a graça e a paz lhes sejam multiplicadas.” Aqui temos todas as três pessoas: Deus o Pai, que escolheu e destinou os crentes, o Espírito, que os santifica para obediência a Jesus Cristo. Portanto, temos várias passagens, eu acho, em que o Espírito Santo é distinguido tanto do Pai quanto do Filho. Ele é uma pessoa distinta. Aqui também precisamos fazer uma observação sobre como o Novo Testamento usa a terminologia. Vimos que muito frequentemente a palavra "Deus" se refere simplesmente ao Pai. Quanto ao Espírito Santo, Jesus prometeu que o Espírito Santo viria em seu lugar e em seu nome. Ele continuaria a realizar o ministério de Jesus na ausência de Jesus após Jesus ter ascendido ao Pai.

Veja João 14:26: “O Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse ensinará a vocês todas as coisas e fará com que se lembrem de tudo o que eu lhes disse.” Aqui o Espírito Santo é enviado em nome de Cristo, e ele serve para trazer os ensinamentos de Cristo à lembrança por parte dos discípulos. Veja também João 16:13-14: Jesus diz: "Porém, quando vier o Espírito da verdade, ele os guiará em toda a verdade. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que ouvir e anunciará a vocês as coisas que estão para acontecer. Ele me glorificará, porque vai receber do que é meu e anunciará isso a vocês." Aqui vemos a subordinação do Espírito Santo no plano da salvação ao Filho. O Espírito Santo não fala por sua própria autoridade. Vimos, ao contrário, que ele vem em nome do Filho – em nome de Cristo – e então declarará aos discípulos as coisas que ele recebe – as coisas a respeito de Jesus Cristo.

A função do Espírito Santo é atestar e continuar o ministério de Jesus, agindo em seu nome e autoridade, e em seu lugar. Portanto, no Novo Testamento o Espírito Santo torna-se tão estreitamente identificado com Jesus Cristo que frequentemente é chamado de Espírito de Cristo – não o Espírito de Deus mas o Espírito de Cristo, ou às vezes é simplesmente chamado de Cristo. Veja, por exemplo, a passagem muito interessante em Romanos 8:9-11. Aqui Paulo diz: "Vocês, porém, não estão na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Se, porém, Cristo está em vocês, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida, por causa da justiça.

Se em vocês habita o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou Cristo dentre os mortos vivificará também o corpo mortal de vocês, por meio do seu Espírito, que habita em vocês." Agora, vocês perceberam a terminologia aqui e a progressão? Vai de Espírito de Deus para Espírito de Cristo e então simplesmente Cristo! Se Cristo está em vocês (significando o Espírito de Cristo, isto é, o Espírito de Deus, o Espírito Santo). Aqui temos a identificação do Espírito tão completamente com Cristo que ele é, de fato, referido como Cristo. Então, muito frequentemente hoje, as pessoas falam sobre como, para nascer de novo, é necessário receber Cristo como Salvador, e que é ao receber Cristo que se produz o novo nascimento e um relacionamento com Deus. Tecnicamente, é realmente o Espírito Santo que se recebe.

Quando uma pessoa coloca sua fé em Cristo, ela recebe o Espírito Santo que agora continua o ministério de Cristo e que produzirá o novo nascimento espiritual – o novo nascimento – que o colocará em um relacionamento com Deus. Mas, como o Espírito Santo é tão estreitamente identificado com Cristo, nós frequentemente falamos sobre receber Cristo. Não há nada de errado com isso desde que tenhamos em mente e entendamos que Cristo em termos de sua natureza humana está com o Pai. Ele está ausente deste mundo. Um dia ele voltará novamente quando Cristo retornar, mas em sua ausência é o Espírito Santo que continua o ministério ao mundo e também à igreja. Quando chegarmos à nossa seção sobre a doutrina do Espírito Santo, nós veremos mais sobre os muitos ministérios que essa terceira pessoa da Trindade tem no mundo hoje. Mas, por ora, queremos apenas observar que o Espírito Santo não é o fantasma de Jesus Cristo. Quando falam sobre o Espírito Santo, não querem dizer que é o fantasma de Jesus.

Nem querem dizer com Espírito Santo algum tipo de “isso” – uma coisa, uma força neutra ou um objeto impessoal. O Espírito Santo é uma pessoa assim como o Filho e o Pai que agora atua no mundo e na igreja para continuar o ministério de Jesus. Esse é o primeiro ponto: o Espírito Santo é uma pessoa que é distinta do Pai e do Filho.

O Espírito é Deus

Além disso, para afirmar o óbvio, o Espírito Santo é Deus. O Espírito Santo, assim como o Pai e o Filho, é Deus. Veja Mateus 12:28, por exemplo. Aqui seria fácil encontrar passagens que atestam a divindade do Espírito Santo. Mas Mateus 12:28 basta. Lemos as palavras de Jesus: “Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o Reino de Deus sobre vocês.” Aqui ele se refere ao Espírito Santo como o Espírito de Deus que traz o Reino de Deus à Terra. Atos 5:3-4 é uma passagem muito interessante da história de Ananias e Safira e do juízo de Deus sobre eles na igreja primitiva. Aqui Pedro repreende Ananias por sua mentira. Pedro diz: “Então Pedro disse: ‘Ananias, por que você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, para que você mentisse ao Espírito Santo, retendo parte do valor do campo? Não é verdade que, conservando a propriedade, seria sua? E, depois de vendida, o dinheiro não estaria em seu poder? Por que você decidiu fazer uma coisa dessas?

Você não mentiu para os homens, mas para Deus.’” Note que no versículo 3, Pedro diz a Ananias: “por que você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, para que você mentisse ao Espírito Santo”, e depois no versículo 4 ele diz: “Você não mentiu para os homens, mas para Deus.” Portanto, ali se faz a equivalência do Espírito Santo com Deus. O Espírito Santo é divino. Romanos 8:9. Já lemos este versículo: “Vocês, porém, não estão na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês.” Aqui o Espírito Santo é, novamente, chamado de Espírito de Deus. Finalmente, 1 Coríntios 6:11. Paulo diz: “[…] vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.” Portanto, o Espírito Santo é Deus e, ao mesmo tempo, o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho. Temos as mesmas verdades sobre o Espírito Santo que vimos com relação ao Pai e ao Filho. Ele é uma pessoa distinta e ele é divino.

Discussão: unitarianismo e personificação

Alguma discussão ou pergunta sobre esse ponto? Sim. Vamos começar com o Dennis aqui na frente. Aluno: Com toda a evidência bíblica, fico me perguntando que tipo de resposta os unitários e outros céticos dão? Algumas dessas passagens estão em disputa ou talvez tenham variações textuais que eles possam usar para escapar? Dr. Craig: Não, eu não acho que seria uma questão de variações textuais como se houvesse alguns manuscritos que lessem diferente. Você simplesmente terá que aplicar uma interpretação totalmente diferente a essas passagens para evitar a força do que eu disse aqui. Acho que provavelmente o unitarianismo é motivado não tanto pela falta de clareza ou ambiguidade do texto mas sim pela própria doutrina da Trindade. Para algumas pessoas, simplesmente parece incompreensível dizer que um só Deus possa ser três pessoas. Então, de alguma forma, você tem que contornar isso. Aluno: Invariavelmente, isso custa a divindade de Jesus. Dr. Craig: A não ser!

Há uma forma de isso não acontecer. Pode significar que você sacrifica a divindade de Jesus e considera Jesus como puramente humano, certo? E Deus é simplesmente Deus Pai. Mas hoje existem os chamados Pentecostais do Nome de Jesus. Eu realmente conheci pessoas assim. Quando estávamos na França, em uma escola de francês, um dos missionários que estava lá aprendendo francês para ir à África era membro de uma dessas denominações pentecostais do Nome de Jesus. O que eles acreditavam é que Deus é uma pessoa e que essa pessoa é Jesus. Ele afirmava a divindade de Cristo, mas achava que Jesus Cristo é Deus – o único Deus pessoal – encarnado. Ele negava a Trindade, mas afirmava a divindade de Cristo. É uma espécie de versão moderna do Modalismo, como veremos. Mas, sim, era algo bizarro. Aluno: Isso é mesmo. Dr. Craig: Sim. Certo. Vamos passar para o Cody. Vamos para o outro lado da frente.

Aluno: Como você sabe, as Testemunhas de Jeová acreditam que o Espírito Santo é a força ativa impessoal de Deus, como eletricidade ou água. Uma das formas que elas tentam usar para rebater todas essas passagens que parecem se referir ao Espírito Santo como “ele” ou que parecem mostrar que ele é uma pessoa é dizendo que é linguagem de personificação e dão outros exemplos como Sabedoria e outras coisas impessoais que são descritas na Bíblia como se fossem pessoas. Elas tentam usar isso para explicar muitas das passagens sobre o Espírito Santo onde parece que se fala de uma pessoa. No Evangelho de João, elas usam o gênero neutro – elas tentam usar isso para dizer que isso mostra que é uma força impessoal e então qualquer outro trecho onde se diga “ele” depois disso seria só personificação. Dr. Craig: Deixe-me abordar primeiro esse segundo ponto, e depois ir para o primeiro ponto. Em grego, diferente do inglês, você tem artigos com gênero – masculino, feminino e neutro.

“Ho” é o masculino; “he” é o feminino; e “to” é o artigo definido em grego. É como o alemão nesse sentido. Em alemão você tem “der”, “die” e “das” como seus artigos definidos. Qualquer um que estudou alemão sabe como é difícil lembrar o tempo todo qual é o gênero do substantivo que você acabou de aprender e como flexionar esses artigos conforme mudam os casos como acusativo, dativo, genitivo, com os artigos indefinidos, e os adjetivos que vêm depois, e assim por diante. Fica muito complicado. Não há absolutamente nenhuma significância quanto ao gênero desses artigos. Por exemplo, em alemão, a palavra para “menina” é “das mädchen”. Mas isso não significa que as pessoas acham que meninas são objetos neutros! Isso é apenas uma peculiaridade da língua. Portanto, você não pode inferir nada sobre o caráter pessoal de alguém a partir do gênero do artigo definido. Da mesma forma no grego... no grego a palavra para Espírito é neutra – “to pneuma”.

É como nossa palavra “pneumático”, que significa ar. “To pneuma” significa Espírito ou vento. O fato de *pneuma* ser neutro não diz nada sobre se o Espírito Santo é uma pessoa. Na verdade, como vimos em João, ele na verdade viola a gramática ao não usar o pronome relativo que é neutro. Ele usa o pronome relativo que é masculino, o que eu acho muito revelador. Quanto ao primeiro ponto, com certeza você está certo que a Escritura, em várias ocasiões, usa o recurso literário da personificação. Um ótimo exemplo é Provérbios 8, onde a Sabedoria de Deus é personificada como uma senhora – Senhora Sabedoria. Ela clama ao povo: venham a mim, aprendam de mim e.. para ensinar os jovens a andar nos caminhos do Senhor e não serem tolos. A Senhora Sabedoria ali fala em nome de Deus. É claramente uma personificação literária. Mas acho que você pode ver pelos versículos que li hoje, nenhum deles tem qualquer relação com personificação literária. Nenhum deles é assim.

Especialmente quando você tem os três listados juntos – em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, ou a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, a comunhão do Espírito Santo. É claramente um caso que não se trata de personificação literária. Aluno: Toda a passagem de Mateus – em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo – uma coisa interessante que James White faz é que ele aponta às Testemunhas de Jeová que se você realmente ler isso da forma como elas precisam ler, o que você realmente está dizendo é que precisa ser batizado em nome de Jeová Deus, Miguel o arcanjo, e uma força impessoal. Dr. Craig: O que é absurdo, não é? Isso iria colocar outras coisas no mesmo nível do Pai que não poderiam jamais estar nesse mesmo nível.

Nomes, incompreensibilidade e relações

Certo, algum outro comentário ou pergunta, Eric? Aluno: O Espírito é a única pessoa da Trindade que é diretamente nomeada como Espírito. Mas, é claro, Deus Pai também é espírito, e antes da encarnação o Filho era espírito. Existe alguma forma em que o Espírito Santo seja espírito de um modo diferente ou é só o único nome que restou para usarmos para 'isso' ("it")? Dr. Craig: Não diga 'isso' ("it)” ! Viu como caímos nisso facilmente? "É o único nome que restou para usarmos para 'isso' ("it")?" Chame de “ele”! Não tenho certeza de por que o Espírito Santo recebeu esse nome. Pode ser que isso enfatize um aspecto do ser de Deus, a saber, sua atividade e poder. Logo no início de Gênesis, você tem o Espírito presente na narrativa da criação em que havia trevas sobre a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.

Pode ser que essa linguagem de Espírito e Espírito Santo tenha a intenção de enfatizar a atividade de Deus no mundo, enquanto Pai e Filho são termos mais relacionais que conotam amor, autoridade, submissão e amor por sua vez. Isso é apenas uma especulação rápida da minha parte. Não saberia dizer por que o Espírito Santo recebeu o nome que recebeu. Aluno: Acho muito interessante esse conceito da Trindade por várias razões. Uma delas é que é uma das coisas que tornam o cristianismo único. Nenhuma outra fé importante ensina isso. Mas também acho que é um bom lembrete porque não só é como um sinal de alerta sempre que uma doutrina religiosa de algum tipo a nega, como as Testemunhas de Jeová ou os Mórmons. Isso levanta um alerta. Mas também é um bom lembrete de que, por mais que saibamos sobre Deus, haverá sempre certas coisas sobre ele que estão além da nossa compreensão — e é assim que deve ser.

Acho que a doutrina da Trindade é uma doutrina essencial não apenas porque é ensinada nas Escrituras, mas também porque nos lembra que sempre haverá certas coisas sobre Deus que estarão além da nossa compreensão. Dr. Craig: Um dos atributos tradicionais de Deus é que Deus é incompreensível. Quando eles diziam que Deus é incompreensível, isso não queria dizer que Deus é ininteligível ou ilógico ou incapaz de ser entendido. O que queriam dizer é que você não pode compreender Deus no sentido de abarcá-lo por completo. Ele é infinito, e assim, embora adquiramos conhecimento verdadeiro e percepção sobre a natureza de Deus (ele é onipotente, onisciente, moralmente perfeito, eterno, necessário e 'a se'), ainda assim não podemos compreendê-lo no sentido de envolver Deus com nossos braços ou mente e entendê-lo de forma exaustiva. Acho que você está certo em que a doutrina da Trindade nos lembra disso.

Durante séculos, os judeus adoraram a Deus sem qualquer suspeita de que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Isso foi revelado somente com o tempo por meio de sua encarnação na pessoa de Jesus. Ah. Desculpe. Temos uma pergunta aqui na frente. Bruce? Sim. Vá em frente. Aluno: Você comentaria sobre João 17:21? Dr. Craig: Certo. Aluno: Versículo 21. Isso nos ajuda? Dr. Craig: Ok, Jo 17.21. Falamos sobre isso outro dia. Jesus ora pelos crentes “a fim de que todos sejam um. E como tu, ó Pai, estás em mim e eu em ti, também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” Acho que isso mostra claramente a distinção entre o Pai e o Filho. Acho que isso de fato mostra isso. Jesus não está falando consigo mesmo. Então eu diria que este seria um bom versículo para mostrar que o Pai e o Filho são pessoas distintas.

Não estou convencido de que, por si só, seja um bom texto-prova para a divindade de Cristo, porque o sentido em que os discípulos estão neles (em Deus Pai, no Filho) não significa que somos Deus. Isso precisaria ser complementado com outros versículos para obter a divindade de Cristo, eu acho. Mas ao menos você vê aqui as distinções entre as pessoas.

Transcendência, encarnação e Antigo Testamento

Aluno: Gosto de pensar na Trindade como as três pessoas refletindo as três qualidades de Deus em relação a nós. Então o Pai seria transcendência. O Filho seria pessoal e relacional nesse sentido. E o Espírito seria imanência – em termos de suas funções. Dr. Craig: Bem, eu me sinto um pouco desconfortável quando você diz que o Filho é pessoal, porque não queremos excluir isso do Pai ou do Espírito também. O Pai nos ama. Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho. Então embora eu entenda o que você está dizendo sobre a transcendência do Pai, parece-me que outra coisa que não “pessoal” precisa caracterizar o Filho. Eu teria pensado que você fosse dizer imanência para o Filho porque ele entra no mundo – ele entra na história humana de uma forma que o Pai não entra. Aluno: O Filho nos chama de irmãos e nos chama de amigos. Dr. Craig: Sim, ele compartilha nossa natureza humana. Aluno: Eu diria que é uma modalidade, não o modalismo. Dr.

Craig: Você está certamente certo em chamar nossa atenção para o fato de que o Filho é único entre as pessoas da Trindade ao assumir uma natureza humana e ao compartilhar conosco nossa humanidade. Nem o Pai nem o Espírito fazem isso. Vamos falar mais sobre isso quando chegarmos à doutrina de Cristo e como devemos entender essa noção de que Cristo tem uma natureza humana além de uma natureza divina. Amy. Aluno: No Antigo Testamento, há várias menções ao Espírito de Deus ou ao Espírito do Senhor. Você diria que ele é idêntico ao Espírito Santo do Novo Testamento, ou o modo como ele atua no Antigo Testamento é diferente porque Cristo ainda não tinha vindo? Dr. Craig: Eu seria muito cauteloso em fazer uma identificação direta e precisa porque a doutrina da Trindade ainda não havia sido revelada no Antigo Testamento. Então eles podiam usar termos com relação a Deus sem esse tipo de precisão.

Um exemplo disso seria em Isaías 6 onde Isaías diz: “eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.” Ele tem essa visão de Deus. No Novo Testamento, João diz que aquilo era o Filho – que era na verdade Cristo. Foi uma visão de Cristo que Isaías teve no templo. Mas Isaías não saberia disso. Então, de forma semelhante, quando falam sobre o Espírito do Senhor fazendo isso ou aquilo no Antigo Testamento, acho que devemos ser muito cautelosos ao ler isso retroativamente como sendo “o Espírito Santo”. Poderia ser, mas acho que temos que ter cautela. Aluno: Sempre parece haver essa confusão como você mencionou na passagem de Romanos 8 em que ele vai do Espírito de Deus (*pneuma theos*) para o Espírito de Cristo (*pneuma christos*), e depois simplesmente para Cristo. Parece haver uma linha borrada ali.

Falamos sobre como crentes: “eu peço para Jesus entrar no meu coração” (como diz Efésios 3:17) ou Apocalipse 3:20, onde falamos que Jesus está à porta e bate, e nós abrimos a porta. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que não é realmente Jesus, é realmente o Espírito que habita em nós. Como chegamos a isso? Como chegamos a essa ideia? Dr. Craig: Tentei chegar a isso pelo que eu disse – o Espírito Santo não age por sua própria autoridade. Ele não se glorifica a si mesmo. Ele não traz ensinamento que seja separado de Cristo. Ele vem no lugar de Cristo para glorificar a Cristo e trazer aos discípulos – lembre-se isso é o que Cristo lhes ensinou – o papel dele é completamente subordinado, ao que me parece, ao de Cristo. Portanto, ele se torna tão estreitamente identificado com Cristo que alguém como Paulo pode dizer: “Mas, se Cristo está em vós, vocês estão vivos por causa da justiça.” Mas eu acho que tecnicamente, se você estiver fazendo teologia, você vai querer dizer que é o Espírito Santo.

Mas eles acabam tão estreitamente identificados um com o outro que os termos podem ser usados de forma intercambiável. Não há nada de errado nisso, eu acho, contanto que compreendamos o que está acontecendo aqui.

Pessoalidade e encerramento

Aluno: Acho que você mencionou isso antes, que o conceito de pessoalidade não surgiu até o Concílio de Niceia, quando estavam debatendo, e então estamos adicionando dificuldades semânticas na evangelização ao dizer “pessoalidade” em vez de simplesmente mencionar Cristo, o Espírito Santo e Deus Pai? Dr. Craig: Eu disse que o conceito moderno de pessoa – o conceito psicológico de pessoa – parece ter surgido através desses debates trinitários em que os pais da igreja estavam tentando expressar a distinção entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo nesses termos pessoais. Mas eu diria que os insights deles são genuínos e que devemos adotá-los e não rejeitar tal terminologia, porque vemos nas próprias Escrituras, não que o Espírito e o Filho sejam chamados de “pessoas” – não foi esse tipo de linguagem que eu usei, eu me baseei em versículos nos quais eles interagem como pessoas.

O Filho ora ao Pai, ou o Pai diz: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado.” Há claramente o que poderíamos chamar de relacionamentos “eu-tu” aqui entre as pessoas da Trindade. Uma perspectiva em primeira pessoa, uma perspectiva em segunda pessoa. Um relacionamento “eu-tu”. E eu acho que isso é captado pelo conceito de pessoalidade, e portanto não devemos rejeitar essa terminologia. Acho importante adotá-la. Bem, nosso tempo acabou. Então, na próxima vez, começaremos a ver como a igreja primitiva refletiu sobre esses dados bíblicos para dar sentido a eles. Mas vamos encerrar com uma bênção. E agora, que o próprio Espírito Santo te fortaleça, te convença, e te guie ao longo desta semana para cumprir toda a vontade de Deus. Amém.

Aula de William Lane Craig. Publicação original: Reasonable Faith. © 2016 William Lane Craig. Tradução e edição em português: Fé Razoável. Transcrição da versão em português, revisada em 20/10/2026; citações bíblicas conferidas na NAA.