Resumo da equipe Fé Razoável, preparado com auxílio de IA
Craig apresenta quatro doutrinas cristãs que, em sua avaliação, tornam menos surpreendente a coexistência de Deus e sofrimento: o conhecimento de Deus como propósito da vida, a rebelião humana, a vida eterna e o valor incomensurável de conhecer a Deus. Os alunos discutem curas, oração, perseguição e a experiência pessoal do sofrimento.
Retomada das respostas ao problema evidencial
Temos analisado a versão evidencial, ou probabilística, do problema do mal e do sofrimento. E sugeri da última vez duas respostas a esse problema. Primeiro, que simplesmente não estamos em uma boa posição para afirmar com qualquer confiança quando alguma ocorrência de mal ou sofrimento entra em nossas vidas que Deus provavelmente não tem uma razão moralmente suficiente para permitir isso. Dada nossa finitude no tempo e no espaço, nossas limitações cognitivas, inteligência e discernimento, simplesmente não estamos em posição de fazer esse tipo de julgamento probabilístico com qualquer confiança. Mas em segundo lugar, também sugeri que as probabilidades são relativas à informação de fundo, e que mesmo que a existência de Deus fosse improvável em relação apenas ao mal e sofrimento no mundo, isso não significa que a existência de Deus seja improvável.
Porque quando se considera todo o escopo das evidências, a existência de Deus pode ser muito provável. Para ilustrar, em relação aos fatos da biologia reprodutiva, minha existência é enormemente improvável. De todos aqueles centenas de milhões de espermatozoides, quais as chances de que justamente aquele se unisse ao óvulo da minha mãe para me formar? Em relação aos fatos da biologia reprodutiva, minha existência é incrivelmente improvável. Então, eu deveria acreditar que não existo? Obviamente não, porque eu tenho muito boas razões para acreditar que existo, mesmo diante de qualquer improbabilidade que minha existência possa ter em relação aos fatos da biologia reprodutiva tomados isoladamente. Da mesma forma exata, quando consideramos todo o escopo das evidências, a existência de Deus é provável mesmo diante de qualquer improbabilidade que o mal e o sofrimento possam parecer lançar sobre a existência de Deus.
Em particular, argumentei que o próprio mal é um argumento para a existência de Deus. Porque na ausência de Deus, não há um padrão absoluto de bem e mal, certo e errado. Portanto, na ausência de Deus, realmente não existem valores ou deveres morais objetivos, e, assim, se você acha que o mal existe ou que o sofrimento não deveria existir, você assim se comprometeu com a objetividade dos valores e deveres morais. E isso implica que Deus existe. Portanto, mesmo em um nível superficial, o mal pode parecer colocar em dúvida a existência de Deus, em um nível mais fundamental o mal na verdade é evidência da existência de Deus. Esses dois pontos por si só, eu acho, são suficientes para refutar a força do argumento evidencial ateísta do mal. Mas agora quero fazer um terceiro ponto, e é que o Cristianismo implica doutrinas que aumentam a probabilidade da coexistência de Deus e sofrimento no mundo.
Ou seja, se o Deus cristão existe então não é realmente tão improvável que o mal e o sofrimento também existam. Acaba que o problema do mal é muito mais difícil para um tipo de teísmo reduzido – um mero monoteísmo – do que para o Cristianismo. Pois o Cristianismo implica certas doutrinas que aumentam a probabilidade de que sofrimento e mal existam. Quais são essas doutrinas? Deixe-me mencionar quatro delas esta manhã.
O conhecimento de Deus como propósito da vida
1. O principal propósito da vida não é a felicidade, mas o conhecimento de Deus. Isso é absolutamente fundamental. A razão pela qual o problema do sofrimento parece tão difícil, eu acho, para a maioria das pessoas é porque elas simplesmente assumem naturalmente que, se Deus existe, então seu objetivo para a vida humana é a felicidade nesta vida. O papel de Deus é criar um ambiente confortável para seus bichinhos humanos. Mas, na visão cristã, isso é falso. Não somos os bichinhos de estimação de Deus. O objetivo da vida humana não é a felicidade em si, mas sim o conhecimento de Deus que, no fim, produzirá a verdadeira e eterna realização humana. Mas muito do sofrimento na vida pode ser completamente sem propósito com relação ao objetivo de produzir felicidade humana. Mas pode não ser sem propósito com relação ao objetivo de produzir um conhecimento mais profundo de Deus.
O sofrimento humano inocente oferece uma ocasião para uma dependência e confiança mais profundas em Deus, seja da parte do próprio sofredor ou da parte daqueles ao seu redor. É claro que, se o propósito de Deus é ou não alcançado através do nosso sofrimento, vai depender da nossa resposta a ele. Respondemos com raiva e amargura contra Deus? Ou respondemos com fé mais profunda e confiança e dependência em Deus. Se os propósitos de Deus são alcançados ou não através do nosso sofrimento depende totalmente de como respondemos a ele. Porque o objetivo final de Deus para a história humana é o conhecimento de si mesmo (o que, no fim, trará felicidade eterna às pessoas), a história não pode ser vista na perspectiva correta separada das considerações sobre o reino de Deus. O propósito da história humana é estabelecer o reino de Deus. O desejo de Deus é atrair o maior número possível de pessoas livremente para o seu reino.
Pode muito bem ser o caso, eu acho, que o sofrimento faz parte dos meios que Deus usa para atrair pessoas livremente para o seu reino. Isso é algum tipo de especulação vaga da minha parte? De forma alguma! Uma leitura de um manual de missões como Operation World, de Patrick Johnstone, revela que é precisamente em países que enfrentaram severas dificuldades, tanto males morais quanto naturais, que o Cristianismo está crescendo em suas maiores taxas enquanto as curvas de crescimento no Ocidente indulgente estão basicamente estáveis. Considere, por exemplo, os seguintes relatos de Operation World. China: estima-se que 20 milhões de chineses perderam suas vidas na Revolução Cultural de Mao. Os cristãos permaneceram firmes no que provavelmente foi a perseguição mais ampla e severa que a Igreja já experimentou. A perseguição purificou e tornou a Igreja indígena. Desde 1977, o crescimento da Igreja na China não tem paralelos na história.
Pesquisadores estimam que havia entre 30 e 75 milhões de cristãos em 1990. Hoje, estima-se que esteja entre 90 milhões e 100 milhões.[4] Mao Zedong, sem querer, tornou-se o maior evangelista da história. El Salvador: a guerra civil de 12 anos, terremotos e o colapso do preço do café, a principal exportação da nação, empobreceram o país. Mais de 80% vivem em extrema pobreza. Uma colheita espiritual surpreendente foi recolhida de todas as camadas da sociedade em meio ao ódio e à amargura da guerra. Em 1960, os evangélicos eram 2,3% da população, mas hoje, são cerca de 20%. Etiópia: a Etiópia está em estado de choque. Sua população luta com o trauma de milhões de mortes devido à repressão, fome e guerra. Duas grandes ondas de perseguição violenta refinaram e purificaram a Igreja, mas houve muitos mártires. Milhões têm vindo a Cristo.
Os protestantes eram menos de 0,8% da população em 1960, mas em 1990 isso pode ter se tornado 13% da população. Exemplos como esse podem ser multiplicados. Por exemplo, desde o recente terremoto no Haiti, tem havido um tremendo avivamento como nunca se viu em todo o Haiti, e pessoas vindo à fé em Cristo. A história da humanidade tem sido uma história de sofrimento e guerra; e ainda assim, tem sido também uma história do avanço do Reino de Deus. Em 1990, o Centro de Missões Mundiais dos EUA, em Pasadena, divulgou informações traçando a proporção ao longo do tempo entre cristãos que creem na Bíblia no mundo e não cristãos no mundo. Nenhuma das categorias inclui apenas cristãos nominais. São cristãos que creem na Bíblia ou evangélicos no mundo comparados a não cristãos no mundo. No primeiro século, quando o Cristianismo começou, para cada cristão que cria na Bíblia no mundo havia milhares de não crentes.
Na época da Idade Média, esse número havia diminuído para cerca de 1.000 não crentes para cada cristão que cria na Bíblia no mundo. No ano de 1900, essa proporção havia caído para 27 não cristãos para cada cristão que cria na Bíblia no mundo. E em 1990, esse número havia caído para 7 não cristãos para cada cristão que cria na Bíblia no mundo. Segundo Patrick Johnstone: “Estamos vivendo na época da maior colheita de pessoas para o Reino de Deus que o mundo já viu.” Acho que não é nada improvável que esse crescimento impressionante do Reino de Deus se deva em parte pelo menos à presença de terrível sofrimento no mundo.
Rebelião humana e responsabilidade moral
2. A humanidade está em estado de rebelião contra Deus e seu propósito. Em vez de se submeter a Deus e adorá-lo, as pessoas se rebelam contra Deus e seguem seu próprio caminho e assim se encontram alienadas de Deus, tateando na escuridão espiritual, moralmente culpadas diante de Deus, e seguindo falsos deuses de sua própria imaginação. Os terríveis males humanos no mundo são simplesmente testemunho do estado da depravação humana nessa condição de alienação espiritual de Deus. Portanto, o cristão não se surpreende realmente com os terríveis males morais no mundo. Pelo contrário, ele os espera. As Escrituras dizem que Deus entregou a humanidade ao mal que ela escolheu livremente. Ele não intervém para impedi-lo. Ele deixa a depravação humana seguir seu curso. Em Romanos 1, três vezes (nos versículos 24, 26 e 28) Paulo diz: “Deus os entregou” ao mal e à depravação que haviam escolhido. Ele deixa o mal humano seguir seu curso.
Isso só serve para acentuar a responsabilidade moral da humanidade diante de Deus bem como nossa maldade e nossa necessidade do perdão e da purificação moral de Deus.
A perspectiva da vida eterna
3. O propósito de Deus não se restringe a esta vida, mas se estende além do túmulo para a vida eterna. De acordo com a fé cristã, esta vida é apenas o vestíbulo apertado e estreito que leva ao Grande Salão da eternidade de Deus. Deus promete vida eterna a todos que colocarem sua confiança em Cristo como Salvador e Senhor. Portanto, quando Deus pede a seus filhos que suportem sofrimento terrível nesta vida, é apenas com a perspectiva de uma alegria celestial e uma recompensa que está além da compreensão. Quando você pensa sobre isso, o apóstolo Paulo viveu uma vida de sofrimento incrível. Ele sofreu tanto de algum tipo de enfermidade física debilitante (mal natural) quanto de mal moral perpetrado contra ele por seus perseguidores. Sua vida como apóstolo foi pontuada por “nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns” (2 Coríntios 6:4-5).
E ainda assim ele continuou a escrever: “Por isso não desanimamos. [...] Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória, acima de toda comparação, na medida em que não olhamos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem. Porque as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas.” (2 Coríntios 4:16-18). Paulo viveu esta vida na perspectiva da eternidade. Ele entendeu que o comprimento desta vida sendo finito é literalmente infinitesimal em comparação com a vida eterna que desfrutaremos com Deus. Pense nisso, quanto mais tempo passarmos na eternidade, mais os sofrimentos desta vida diminuem em comparação até literalmente um momento infinitesimal. É por isso que Paulo pôde chamar o sofrimento nesta vida de “leve e momentânea tribulação”. Ele não estava sendo insensível com as pessoas que sofrem terrivelmente. Pelo contrário, ele era uma delas.
Mas ele entendia que esses sofrimentos são simplesmente esmagados pelo oceano de alegria e glória eternas que Deus dará àqueles que confiam nele. Pode muito bem ser o caso de que exista sofrimento no mundo que não serve a nenhum bem terreno. É sem propósito do ponto de vista humano, mas Deus o permite simplesmente para que possa recompensar de forma esmagadora na vida após a morte aqueles que suportaram tal sofrimento com fé e confiança em Deus.
O bem incomensurável de conhecer a Deus
4. O conhecimento de Deus é um bem incomensurável. A passagem que citei de 2 Coríntios também reforça esse ponto. Paulo imagina, por assim dizer, uma balança na qual os sofrimentos e as misérias desta vida são colocados de um lado e do outro lado é colocada a glória que Deus concederá a seus filhos no céu. E Paulo diz que o “peso de glória” é tão grande que está “acima de toda comparação” com o sofrimento. Pense nisso. Conhecer a Deus, o infinito centro de bondade e amor, é um bem incomparável. É a realização da existência humana. É para isso que fomos feitos. Assim, os sofrimentos desta vida nem sequer podem ser comparados a isso. Portanto, a pessoa que realmente conhece a Deus, não importa o que ela sofra, não importa quão terrível seja sua dor, ainda pode dizer com verdade: “Deus é bom para comigo.” Simplesmente em virtude do fato de que ela conhece a Deus, um bem incomensurável.
Essas quatro doutrinas cristãs aumentam enormemente a probabilidade da coexistência de Deus com o sofrimento e o mal no mundo. Assim, elas por sua vez diminuem qualquer improbabilidade que o mal e o sofrimento no mundo pareçam lançar sobre a existência de Deus. O ateu pode responder neste ponto que não temos razão para pensar que essas quatro doutrinas sejam verdadeiras. Ei! Espere um minuto! Ele está tentando transferir o ônus da prova novamente! Lembre-se, é o ateu quem diz que o sofrimento no mundo torna a existência de Deus improvável. Portanto, é totalmente legítimo você responder: “Não do Deus cristão!” O ateu precisa mostrar que o Deus cristão é improvável em relação ao sofrimento no mundo. Para fazer isso, ele precisa ou mostrar que essas quatro doutrinas são provavelmente falsas, ou então mostrar que a existência de Deus ainda é improvável dada a veracidade dessas quatro doutrinas.
Mas em ambos os casos, o ônus da prova é dele. Não cabe a você provar que essas doutrinas são verdadeiras. Cabe ao ateu mostrar que elas são provavelmente falsas ou que o mal e o sofrimento ainda são altamente improváveis dada a veracidade dessas doutrinas. O ateu é quem tem o ônus da prova aqui. Não deixe que ele jogue isso sobre você.
Discussão: felicidade, fé e curas
Qualquer discussão sobre essa resposta à versão probabilística ou evidencial do problema do mal.
Estudante: na verdade, eu acho que o fato de que para os humanos o principal impulso é felicidade e conforto e assim por diante. Isso é um grande tipo de morro a ser superado em muitos casos.
Dr. Craig: Montanha!
Estudante: É. Porque eu acho que alguém disse algo no palco uma vez que ela achava que o Cristianismo era: você entrega sua vida a Deus e então você recebe o sonho americano. Não sei se essas foram exatamente as palavras dela, mas acho que muitos de nós, quando vamos a Deus, é isso que esperamos. Achamos que se pararmos de viver de forma mundana tudo começa a dar certo. Acho que quando você está enfrentando o problema do mal, você também está enfrentando essa teologia ruim. Você meio que precisa juntar as duas coisas e dizer: OK, não se trata da sua felicidade. É sobre você conhecer a Deus e mais pessoas conhecerem a Deus. E obviamente quando você vê mais sofrimento, grupos de pessoas se aprofundam e buscam a Deus.
Dr. Craig: Acho que isso é absolutamente fundamental, e além disso acho que pastoralmente é incrivelmente importante, como você disse, quando passamos por mal e sofrimento, aparentemente, sem propósito em nossas vidas também, perceber que Deus não está aqui para nos fazer felizes. Portanto, não devemos nos surpreender quando sofremos como sofremos. Sim. Kevin.
Estudante: Uma vez ouvi . . . uma das maneiras que gosto de responder a descrentes quando se trata do problema do mal e do sofrimento, e também o que me dá grande conforto quando estou sofrendo, é dizer não apenas todas as coisas que você acabou de dizer mas também refletir sobre o sofrimento de Jesus na cruz e dizer que . . . Uma vez ouvi o Dr. Peter Kreeft dizer que o problema do mal coloca Deus no gancho, mas com Jesus Deus está no gancho[3], ou algo assim. Apenas um joguinho de palavras. Mas é para dizer . . . Acho que foi Malcolm Muggeridge quem disse algo como: Eu não poderia adorar um Deus que está distante e apenas fica afastado, mas o fato de que Deus entra em nosso sofrimento e eu olho para a cruz e penso: “Esse é o tipo de Deus que preciso em um mundo com tanto sofrimento.”
Dr. Craig: É notável que seguimos um Salvador crucificado, não é? Jesus é chamado de “homem de dores e que sabe o que é padecer”. Isso nos dá força. Vou me basear nesse ponto quando chegarmos ao problema emocional do mal. Acho que é aí que isso é mais relevante.
Estudante: O ateu poderia responder dizendo que estamos cometendo petição de princípio – que estamos assumindo que Deus existe – porque quando dizemos que o conhecimento de Deus é extremamente valioso devemos assumir que Deus existe para que essa proposição tenha valor.
Dr. Craig: Não, isso não é petição de princípio, porque, como disse há pouco, é o ateu quem está arcando com o ônus da prova aqui. Quando queremos afirmar que Deus existe então nós temos que carregar o ônus da prova e apresentar algum tipo de evidência para isso ou justificativa pelo menos, para por que achamos que temos base para crer que Deus existe. Mas agora o que estamos vendo são argumentos para o ateísmo. Esta é a tentativa do ateu agora de mostrar que é improvável que Deus exista. Não estamos assumindo que Deus existe. Estamos apenas dizendo que, em relação ao mal e ao sofrimento no mundo, não é improvável que Deus exista, especialmente o Deus cristão. Se o Deus cristão existe, esperaríamos ver uma grande quantidade de sofrimento e mal no mundo. Então, vamos lá, Sr. Ateu, nos dê seu argumento aqui para mostrar que é improvável de forma significativa que o Deus cristão exista.
Mais uma vez, é muito fácil permitir que o ateu transfira o ônus da prova nessas discussões para os ombros do cristão, e por isso é muito importante que entendamos exatamente quem é que está fazendo a alegação aqui e quem é agora que está simplesmente na defensiva. Sim?
Estudante: Meu nome é Arthur. Obrigado. Estou constantemente debatendo com um amigo meu que costumava ser crente e se afastou. Quando compartilhei com ele sobre milagres de cura e coisas do tipo, a maioria das pessoas que ele vê não são curadas. Como ele não é curado, isso é evidência para ele não acreditar em Deus. Como você responderia?
Dr. Craig: Eu não apelo a curas milagrosas como argumentos para a existência de Deus. Se você olhar para meu livro *Em Guarda* ou *Apologética Contemporânea*, acho que há argumentos mais robustos para a existência de Deus do que apontar milagres. Acho que eles podem fazer parte de um conjunto cumulativo. Tendo apresentado argumentos para Deus como criador e designer do universo e fonte dos valores morais, e como a melhor explicação de quem foi Jesus de Nazaré, suas afirmações radicais, sua ressurreição dos mortos, então acho que se pode dizer: “E você sabe, Deus ainda faz milagres hoje” e apontar algo como a obra em dois volumes de Craig Keener sobre milagres.
Estudante: Compartilhei isso com ele.
Dr. Craig: Acho que isso pode fazer parte de um conjunto cumulativo. Mas eu nunca apelaria a isso como meu fundamento único para por que devemos acreditar em Deus.
Estudante: Não é o fundamento único, mas ele apenas diz basicamente que Deus tem um plano ruim porque há tanto mal no mundo, e muitas pessoas não são curadas. Você não consegue lidar logicamente com ele. Ele é mais emocional.
Dr. Craig: Oh! OK, é por isso que você precisa compartilhar com ele o ponto (1) – o propósito da vida não é a felicidade humana, então não devemos nos surpreender nem um pouco que Deus não cure todos. Isso virá com a ressurreição. Mas veja 2 Coríntios 4 onde Paulo fala como ele diz “mesmo que o nosso ser exterior se desgaste, o nosso ser interior se renova dia a dia.” Ele diz: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro”. Isso é para mostrar que o poder pertence a Deus e não a nós. Quer você goste dessa visão ou não, é isso que o Cristianismo ensina. O Cristianismo não é o Evangelho da saúde e da prosperidade que diz que todos devem ser curados ou prósperos. É um Cristianismo que diz que Deus vai renovar você no espírito interior enquanto você suporta uma vida propensa ao sofrimento, à corrupção, e, em última análise, à morte, e que está sob o poder de Satanás e seus asseclas, e, portanto, cheia de maldade e mal. Não é uma visão poliana do mundo.
Estudante: Onde está esse versículo?
Dr. Craig: É 2 Coríntios 4, que eu estava citando antes. Esse capítulo inteiro é maravilhoso. Sim. Cody, você aí do lado.
Estudante: Faz um tempo desde que vi os debates; não lembro de muita coisa. Lembro que você debateu Walter Sinnott-Armstrong sobre o problema do mal e você estava dando o mesmo tipo de argumento que tem apresentado na aula dos Defensores. Lembro de um exemplo, quando ele estava fazendo sua fala ele começou tentando mostrar que existe sofrimento e mal gratuito – era algo sobre ele dar este exemplo de e se uma criança tem alguma condição realmente dolorosa e debilitante e pouco depois de nascer ela simplesmente morre. Exemplos assim parecem ser um caso tão claro, segundo ele, de sofrimento sem propósito porque não beneficiou a criança, nem beneficiou os pais, então parece óbvio que é um exemplo de mal gratuito já que existem tantas maneiras de um Deus amoroso ter evitado isso.
Dr. Craig: Certamente ele poderia ter evitado. OK, então como você responderia a um exemplo como esse?
Estudante: Como eu responderia a um exemplo assim? Bem, acredito, quero dizer, eu acho que apenas apelaria ao que você estava dizendo antes – você não sabe, porque e se isso de fato tem um efeito cascata que causa algum outro bem a acontecer? Talvez os pais acabem aprendendo algo com isso e talvez acabem se voltando mais para Deus ou algo assim, e, portanto, são salvos.
Dr. Craig: Sim. Nós simplesmente não sabemos. Isso é absolutamente certo.
Orações, perseguição e testemunho de sofrimento
Estudante: Já encontrei pessoas que perguntam: “Por que eu não recebi uma resposta para uma determinada oração?” Esqueci para quem disse isso, mas falei: “Lembre-se de Jesus no Jardim do Getsêmani. Ele orou: “que passe de mim este cálice!” Ele não conseguiu isso. Ele foi crucificado em vez disso.” Foi uma revelação para eles. Eu disse: “Jesus não recebeu o que pediu em oração.” E eles ficaram tão perplexos com isso porque tinham sido imersos no evangelho da saúde e da prosperidade durante toda a vida cristã deles.
Dr. Craig: Isso é tão importante. Observe outro aspecto da oração de Jesus. Ele termina aquela oração dizendo: “Contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.” E acho que essa deveria ser, ao menos de forma implícita, a oração de todos nós quando oramos por coisas como recuperação médica ou curas ou coisas desse tipo. Pode muito bem ser que a vontade de Deus seja que aquela pessoa não seja curada e que algo terrível aconteça. Essa é sua soberana decisão.
Estudante: Para cada um de nós, a morte é inevitável.
Dr. Craig: Sim, eventualmente.
Estudante: Já vi pessoas que se sentem culpadas... elas acreditam que continuariam vivas se apenas tivessem fé suficiente. Isso é realmente se sabotar porque você não está . . . isso é teologia ruim.
Dr. Craig: É sim, e como você disse, pode ser muito autodestrutivo por causa das dúvidas e das perguntas sem resposta que isso gera. Doutor Bob.
Estudante: Aqui está uma das promessas de Jesus que você não ouve muito por aí. Em João 16:33 ele disse: “No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo.” A palavra grega aqui é *thlipsis* (Strong's 2347) que significa “opressão, aflição ou tribulação.” Então nos é prometido que teremos isso.
Dr. Craig: É, isso mesmo. E também em 1 Pedro[1] (não consigo citar o versículo exato) onde ele diz que todos os que querem viver vidas piedosas em Cristo Jesus sofrerão perseguição. Esse é o nosso destino. Não devemos nos surpreender.
Estudante: Só para conectar alguns pontos com o que foi dito antes – quando eu tinha 33 anos, tive câncer. Passei por toda a cirurgia, quimioterapia, radioterapia. Não sabia por quê nem como isso se encaixava no plano de Deus. Acho que, para os pais da criança que parece morrer sem nenhuma boa razão, às vezes não é só, como você mencionou, uma oportunidade para os pais exercerem fé e confiarem em Deus e dizerem: “Ainda que ele me mate, nele confiarei”[2] — isso também é . . . nós não sabemos qual é o efeito cascata sobre outras pessoas que veem como eles lidam com aquela tragédia. Embora eu nunca tenha perdido a fé durante minha jornada com isso, fiquei realmente surpreso. Inúmeras pessoas disseram que a fé delas foi fortalecida ou que se sentiram inspiradas porque viram como lidamos com isso como família. E mesmo na sala de quimioterapia, onde você pensaria que ali seria um campo pronto para a colheita – certo?
– descobri que ao tentar compartilhar Cristo com pessoas na sala de quimio, essas pessoas estavam mais preocupadas em perder o cabelo do que em perder a vida. Eu apenas pensava: elas são tão vaidosas. É simplesmente impressionante como, mesmo diante, em muitos casos, de uma morte quase certa, elas estavam muito mais preocupadas com a aparência. Eu fiquei tranquilo ao ver meu cabelo cair. [risos]
Dr. Craig: Você está ótimo!
Estudante: Obrigado! Mas tantas pessoas . . . até mesmo a enfermeira, pouco antes de eu ir para a cirurgia, disse: “Você está tão alegre. Nunca vi alguém indo para uma cirurgia tão alegre quanto você. Qual é o motivo disso?” E eu pensei: “Deus! Como é que o Senhor preparou isso tão bem para que eu estivesse pronto para dar uma resposta à esperança que há em mim?” Você nunca sabe aonde aquela dificuldade vai levar ou que sementes foram plantadas ou como a fé de outras pessoas foi impactada.
Dr. Craig: Obrigado! Esse é um testemunho maravilhoso. E estamos felizes que você ainda está aqui conosco também.
Estudante: Obrigado
Conclusão e bênção final
Dr. Craig: Certo, bem, vamos encerrar essa discussão. Em resumo então, a versão evidencial do problema do sofrimento simplesmente não pode ser sustentada com sucesso. Ela requer julgamentos de probabilidade que estão além da nossa capacidade. Ela falha ao não levar em conta todo o escopo das evidências. E ela perde força quando se trata do Deus cristão. Agora, como nem a versão lógica nem a versão evidencial do problema do mal são bem-sucedidas, eu acho que o problema intelectual do sofrimento e do mal falha como uma refutação da existência de Deus. Mas quando digo “falha” quero dizer “falha intelectualmente.” A angústia do sofrimento e a dúvida persistente podem ainda permanecer. Isso nos leva de volta ao problema emocional do mal. Já disse que acredito que, para a maioria das pessoas, o problema causado pelo sofrimento é, na verdade, um problema emocional. Essa será a questão que vamos querer abordar na próxima semana.
Vamos encerrar com uma bênção. E agora, que o soberano Deus, que vê o fim da história desde o seu começo, e que deseja o seu bem último e um conhecimento mais profundo de si mesmo, dirija seus passos nesta semana. Encha você de fé e confiança ao crer para cumprir todos os bons propósitos que ele tem para você em Cristo, em cujo nome oramos. Amém.



