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Testemunhos

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Esta tarde, enquanto consultava uma antiga conta de e-mail, me deparei com algo que havia esquecido há muito tempo: fotos engraçadas (embora não muito lisonjeiras) de 2002, que capturam o que considero o “ponto de inflexão”, logo antes de fazer a transição de ateu para teísta.

Naquele ano, eu ainda era estudante de graduação no Baruch College e vinha realmente tentando compreender o argumento cosmológico kalam, tal como aparecia nos escritos e debates de William Lane Craig. Eu estava chegando a um ponto em que o argumento começava a parecer intransponível para mim, então procurei ajuda de um dos professores sem vínculo efetivo (principalmente porque na minha faculdade parecia que todos eles estavam se concentrando na filosofia analítica, enquanto os professores efetivos caíam no lado “continental” da divisão).

Procurei em particular um professor sem vínculo efetivo chamado Mark Zelcer, que considerei particularmente brilhante, que estava dando aulas de introdução à filosofia da religião e que disse estar familiarizado com a versão de Craig do argumento cosmológico. Depois da aula, um dia, começamos a discutir o assunto. O que mais se destacou para mim, em particular, foi o seu ataque preferido à premissa de que “tudo o que começa a existir tem uma causa para a sua existência”.

O professor Zelcer argumentou que em qualquer evento onde algo passa a existir (especialmente um evento como o universo surgindo), a navalha de Okham apoia que ele venha a existir sem causa e não através de uma causa. Ele argumentou que este era o caso porque, se postularmos que ele surgiu sem causa, estaremos apenas postulando a existência daquilo que veio a existir, enquanto aqueles que propõem uma causa estão propondo a existência de duas entidades: aquilo que passou a existir e sua causa. Declarou que esta última posição era, portanto, em suas palavras, “ontologicamente gulosa”.

Fiquei incrédulo e apresentei várias objeções, e acabamos indo e voltando, vagando por vários subtópicos relacionados, enquanto nos revezávamos rabiscando furiosamente coisas no quadro branco para fins de ilustração. No final da nossa discussão, fiquei ainda mais desiludido, pois senti que não haveria como escapar do argumento. Comecei a admitir que, no mínimo, “o teísmo é racional e não irracional”, e me tornei um teísta cerca de um ano depois.

No final daquele semestre, o professor pediu aos alunos que enviassem um pequeno texto escrito sobre como o curso afetou sua visão de mundo filosófica ou religiosa (por exemplo, suas posições permaneceram as mesmas, eles mudaram de posição, em caso afirmativo, como, etc.). Enviei um artigo sarcástico intitulado “Professor, você tá me fazendo eu virar teísta”, com uma gramática deliberadamente ruim no título e em todo o corpo do artigo, porque, você sabe… os teístas deveriam ser idiotas, bufões, cretinos sem instrução do grande e imundo lumpemproletariado. Embora fosse principalmente uma peça de sátira, em sua essência havia uma admissão tácita de minha decepção.

-Denis

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