Testemunhos

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Obrigado pelas informações. Essa simples atenção mostra quanto vocês levam a sério a fé cristã — e isso me motiva a perseverar no evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Escrevo do Brasil, mais especificamente da cidade de Salvador, na Bahia. Conheci o trabalho do Dr. Craig há quatro anos, por meio de um de seus livros que havia sido traduzido para o português. Eu estava no início do segundo ano de teologia na Faculdade Batista, estudando a teologia liberal moderna brasileira e, especialmente, o método histórico-crítico da Bíblia, como se ele fosse o melhor método para compreender a Bíblia.
Foi um período difícil para mim, porque comecei a perder minha fé em Deus e o respeito pela igreja. Passei a criticar as igrejas cristãs, com razão e sem razão. Os pastores se tornaram alvo das minhas piadas e grosserias. Permiti-me mergulhar no mundo da teologia moderna. Tentei ler tudo: Albrecht Ritschl, Oscar Cullmann, Karl Barth, Reinhold Niebuhr, Friedrich Schleiermacher, Rudolf Bultmann, Paul Tillich, Barth Ehrman e outros.
Lembro-me de uma ocasião em que o professor da Universidade Harvard, Dr. Harvey Cox, esteve no Brasil a trabalho. Ele falou na Faculdade Batista de Salvador sobre o tema “Teologia e diferenças de classe”. Um de seus alunos, formado na Universidade Harvard, era meu professor de teologia sistemática. Lembro-me de que suas aulas tratavam apenas da Teologia da Libertação. Estudávamos o pensamento de Jürgen Moltmann, Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff e Martin Luther King — as aulas de Teologia pareciam mais aulas de filosofia, mas de uma filosofia reducionista, apenas a filosofia marxista.
Como seminarista sem uma base sólida, comecei a odiar Deus e a rejeitá-lo. Contudo, os dias passavam e meu coração sofria com a falta de sentido em tudo isso. Embora tivesse decidido rejeitar Deus, eu não encontrava sentido nessa escolha. Como eu poderia rejeitar Deus? Como culpar Deus pelo sofrimento no mundo? Como criticar a Igreja por causa de erros do passado? Eu estava transferindo a experiência daqueles homens para a minha experiência. Isso era covardia da minha parte, porque em todos os anos em que vivi na igreja fui amado por todas aquelas pessoas.
Quando expulsei Deus da minha vida, senti que já não tinha nenhuma base sólida para determinar algo como certo ou errado. Em busca de uma base filosófica, mergulhei nas obras de homens como Friedrich Nietzsche, Ludwig Feuerbach, Freud, Marx, entre outros. Embora tenha aprendido muito com todos eles, não se consegue eliminar Deus. Todas essas leituras foram importantes para a minha formação; contudo, ainda não consigo concordar com eles. No livro “O Anticristo”, do filósofo alemão Nietzsche, só consegui enxergar um homem zangado com o cristianismo. Não tenho certeza, mas me pareceu que Nietzsche tivera algumas experiências dolorosas na infância com a religião, porque suas palavras eram apenas hostilidade. Não fiquei convencido de nada do que ele dizia.
Foi então que, lendo as obras de pensadores cristãos como C. S. Lewis, Norman Geisler, Ravi Zacharias, RC Sprull, Alister McGrath e, especialmente, o Dr. William Lane Craig, comecei a perceber que é possível conciliar a fé com a razão e que era possível combater aqueles argumentos. Percebi que é possível ser cristão e, ao mesmo tempo, alimentar o intelecto. É possível conciliar a fé cristã com a vida acadêmica. A partir daí, comecei a mudar minha perspectiva e abracei a fé novamente.
Como diz o Dr. Craig: “o cristão comum não percebe que há uma batalha intelectual sendo travada nas universidades, nos periódicos e nos círculos profissionais. O naturalismo iluminista e o antirrealismo pós-moderno se uniram numa aliança profana contra uma visão de mundo amplamente teísta e, especificamente, cristã” (CRAIG. William L. Philosophy and Christian Worldview. P.16).
Concordo com o Dr. Craig. Percebo que isso não acontece apenas nos Estados Unidos, mas também em toda a Europa e, curiosamente, também no Brasil. Embora tenha sido colonizado por um país cristão (Portugal), a base das universidades brasileiras é marcadamente influenciada pela matriz francesa. O lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” ainda é lembrado nas salas de aula das universidades no Brasil. A maioria dos professores brasileiros é agnóstica ou ateia. Não por acaso, a elite brasileira (pessoas influentes) é avessa à religião, especialmente ao cristianismo.
Esses são alguns dos problemas que enfrentamos. Por isso, penso que precisamos de uma apologética que também responda a essas questões. São questões de moral e ética que têm a ver com a igreja e o evangelho. Aceitei o convite do Dr. Craig: “Os cristãos não podem permanecer indiferentes ao desfecho dessa luta. Pois a instituição mais importante que molda a cultura ocidental é a universidade” (CRAIG. William L. Philosophy and Christian Worldview. P.16).
Assim, abracei essa luta aqui no Brasil. Tenho procurado estudar as obras do Dr. Craig e me preparar tanto quanto possível para apresentar um evangelho que dialogue com a realidade e as necessidades das pessoas. Ao mesmo tempo, um evangelho que seja apoiado por ferramentas como a história, a teologia, a filosofia, entre outras. Precisamos de apologética também aqui no Brasil.
Minha oração é que este ministério continue sendo uma bênção na vida de muitos, como foi na minha vida. Hoje tenho certeza de que, se não fosse pelo contato com a literatura de apologética cristã, especialmente os textos do Dr. Craig, eu teria abandonado o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Soli Deo gloria!
-Ivan
